Como matar o Progresso publicando um livro sobre a Internet chamado “O Culto do Amadorismo”.

No seu livro “O Culto do Amadorismo” Andrew Keen apesar de nos dizer que apenas quer chamar a atenção para os perigos da Web 2.0 não deixa de afirmar que “a Internet está matar a nossa cultura actual” . Chega ao ponto de dizer que a Wikipédia é uma enciclopédia livre onde qualquer pessoa pode a qualquer momento “redefinir a sua verdade” colocando as suas inverdades. O Senhor Keen deveria saber que na Wikipédia existe um conselho editorial, reunindo personalidades credíveis, que analisa aquilo a que ele chama “verbetes” e decide se os artigos recebidos são válidos e se devem ou não ser publicados. Uma das regras da Wikipédia está bem expressa ao informar o colaborador de que “O limiar mínimo para inclusão de material (...) rege-se pelo conceito da verificabilidade”. É deste modo que a Wikipédia pode ser actualizada. Não se pode comparar a Wikipédia aos 64 volumes da Britannica ou à sua consulta privilegiada na Net, que de vez em quando é permitida mas alterna com períodos de inscrição paga. E quanto à actualização sobre as novas descobertas ou novos eventos leva o seu tempo. Isto também sabe o Senhor Keen mas não o disse. É contra a proliferação dos blogues de amadores e analfabetos mas ele próprio tem o seu blogue onde coloca os elogios ao seu livro mas não as críticas de que tem sido alvo. Andrew Keen é um conservador e não admite que qualquer pessoa tenha liberdade de exprimir as suas opiniões, provando assim que é contra a liberdade de expressão, direito fundamental num mundo que se deseja livre. É um anti-democrata. E ele deve saber que existem muitos bloggers que são individualidades reconhecidas internacionalmente pelo seu valor intelectual e científico. Andrew Keen chega a comparar o panorama actual da Internet ao mito grego de Pandora afirmando que o que ela “parece dar-nos acabará por nos destruir”. Ele desconhece – creio que não e apenas esquece – os que afirmam e são muitos – que a Internet é o poder do conhecimento. Graças à enorme rede que é a Web, o conhecimento e o saber cruzam o espaço virtual e estão no próprio instante ao alcance dos mais desfavorecidos. Andrew Keen não pode desconhecer que é graças à essa nova tecnologia que a ciência avança e que as mais recentes descobertas se juntam e se tornam cada vez mais rápidas e eficientes para debelar muitas doenças, aumentando a esperança de vida e a dignidade da própria vida. Não foi a Internet que levou ao menor consumo do Cinema, dos Jornais ou dos próprios livros. Há outras causas que devemos analisar. Claro que existe muita informação errada na Net e haverá na Web 2.0. Mas sabemos que também existem erros e difusão errada e deturpada de notícias nos restantes órgãos de comunicação social. O livro de Andrew Keen não tem apenas a intenção de chamar a atenção ou repensarmos o uso da Internet. Ele afirma, reafirma e está convicto de que existe o culto do amadorismo. Diz que pretende defender os seus filhos dos conteúdos malévolos da Internet. Mas tudo isso é possível quando os Pais e educadores tiverem a preocupação de estar atentos e ensinarem as suas crianças sobre o que devem e não devem fazer, o que devem e não devem consultar, os cuidados que devem ter, existindo até programas de “parental care”. Será que Andrew Keen desconhece isso? Não nos parece. Ele está suficientemente elucidado. Ele sabe com toda a certeza quem é Nicholas Negroponte ou Manuel Castells, para citar apenas dois dos muitos sociólogos que defendem as TI como base material de uma nova sociedade. As tecnologias da informação tornam-se – dizem - as ferramentas indispensáveis na geração de riqueza, no exercício do poder e na criação de códigos culturais. E Castells vai mais longe: “ O poder tem medo da Internet”. Então porquê este livro? Afinal Keen dá jocosamente a resposta: “não sou diferente de qualquer outro amador presunçoso”.
Gil Montalverne

A propósito da recente passagem do Dia Mundial da Luta contra a Pobreza dizia-me um amigo que devia existir, isso sim, um Dia Mundial da Luta contra a Riqueza. Estou de acordo com ele porque afinal não se conseguirá combater a pobreza sem diminuir a riqueza acumulada por infelizmente muitos que com ela convivem. Não me refiro, é claro, a todos aqueles que foram justamente remunerados pelo seu trabalho ou empreendimento, embora também esses devessem contribuir (muito mais do que o fazem actualmente) na devida proporção das suas receitas. Refiro-me sobretudo aos muitos milhões de Euros nas mãos de gente que os obteve por exploração indevida do trabalho de outrem, por corrupção, desvios e favores ou jogos ilícitos de bolsa que mais se comparam a jogos de Casino, erguendo impérios em paraísos fiscais, possuidores de fortunas incalculáveis, vivendo luxuosas festas com os seus pares em não menos luxuosas mansões nos seus jardins de Éden, consumindo em tal excesso que parte dele se transforma em lixo inaproveitável. E muitas vezes só este mataria a fome de muita gente. E sabemos que cada vez são mais os que pertencem a essa classe que não se cansa de engordar os seus cofres. Neste mundo global, não são apenas as reservas naturais que são limitadas e que deviam pertencer a todos. Também de um modo mais simples o capital é limitado. E se ele falta na pobreza que grassa a nosso lado ela só terminará quando lhe for atribuída igualmente a parte que existe em excesso nessa riqueza ultrajante e desumana. Por isso se justificava o Dia Mundial da Luta contra a Riqueza para – penso eu ingenuamente – sensibilizar (e talvez envergonhar se é que isso existe nessa classe) os possuidores de tais fortunas de forma a serem eles a erradicar a pobreza. E se eles quiserem e quando quiserem a luta contra a pobreza estará ganha.

Gil Montalverne

Ar Livre



Ar livre, que não respiro!
Ou são pela asfixia?
Miséria de cobardia
Que não arromba a janela
Da sala onde fica a fantasia.
Estiola e fica amarela!

Ar livre, digo-vos eu!
Ou estamos nalgum museu
De manequins de cartão?
Abaixo! E ninguém se importe!
Antes o caos que a morte...
De par em par, pois então?!

Ar Livre! Correntes de ar
Por toda a casa empestada!
(Vendavais na terra inteira,
A própria dor arejada,
- E nós nesta borralheira
De estufa calafetada!)

(Miguel Torga)

It's the economy, stupid! 2º episódio

«Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram.»
Thomas Jefferson, 1802
(enviado por um amigo)





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It´s the economy, stupid !





Tempos estranhos, estes que vivemos. No país em que a sacrossanta economia de mercado é quase uma religião, professada por democratas e republicanos, paradigma do liberalismo económico. No país em que o rácio "automóveis por habitante" é o maior do mundo. Nesse país, os gigantes da indústria automóvel de Detroit (Ford, Chrysler e General Motors), mandam os seus representantes voarem nos seus jactos privados até ao Congresso em Washington, pedir uns biliões de dólares para evitar a falência dessas empresas e que lançará no desemprego perto de três milhões de americanos.
Realmente devo ser estúpido. Não entendo a economia! Mas, pelos vistos, os economistas, os comentadores oficiais do liberalismo, os politólogos associados, também não. Durante os últimos dez anos temos sido embalados por canções tipo "Deixem o mercado funcionar" ou "Menos governo, mais iniciativa privada" para manter adormecido o nosso espírito crítico. Uma economia que vive do crescimento da produção e do consumo. Cujo o lema número um é "Maximizar o Lucro". Que tem vindo a mecanizar todos os ramos da produção. Que, para tal, tem deslocalizado essa produção para os países de mão d'obra barata, em que milhões de seres humanos são arrancados à sua tradicional actividade de produção agrícola para trabalharem na indústria, num regime de quase escravatura. Bem, basta fazer contas, como diria certo senhor. Um tal modelo económico está obviamente votado ao insucesso. E nem quero falar dos custos ambientais de tal modelo.
Mas o que mais me espanta são as opiniões dos tais comentadores de serviço que nunca, nos seus comentários, nos revelaram este triste futuro e agora se mostram incapazes de ler o presente e dele tirarem as devidas conclusões.
Mas voltando à indústria automóvel americana. Só espero que a administração Obama lhes responda: It's the economy, stupid!



Triste é viver na solidão



Triste é viver na solidão

Na dor cruel de uma paixão
Triste é saber
que ninguém pode viver de ilusão
Que nunca vai ser, nunca vai dar
O sonhador, tem de acordar

Sua beleza é um avião
Demais pra um pobre coração
Que pára pra te ver passar
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão

(Tom Jobim)




Não resisti a partilhar esta pérola! Uma obra maravilhosa de António Carlos Jobim, magistralmente interpretada pela grande senhora Patricia Barber no Festival de Jazz de Belgrado 2008. Difusão do canal Mezzo.
SE quiser ouvir mais Patricia Barber clique aqui

Saúde num país pobre - USA - 2º episódio


Menos saúde = mais lucro. É a equação chave do negócio.

Sicko, documentário de Michael Moore. Realizador polémico, mas que nos tem oferecido esclarecedoras caricaturas da sociedade norte-americana.
Bowling for Columbine e Fahrenheit 9/11, já exibidos em Portugal, são dois bons exemplos do estilo deste autor.
Numa altura em que mais um Messias é aclamado pelo mundo, veremos o que Obama pode acrescentar para a verdade e solução destes temas.
Pessoalmente não acredito em Messias, sejam eles de que cor forem. Sabendo os milhões de dólares que custaram as campanhas eleitorais, qualquer candidato está refém dos poderes económicos, que até, e explicitamente, defendem.
Mal estaria a humanidade se o seu destino dependesse de um só homem. Mas, por vezes, um homem pode fazer a diferença. Mas sem uma nova ordem social e económica só nos resta esperar que as forças da natureza reponham o Homem no seu sustentável lugar.

A saúde num país pobre - USA


Pequeno excerto do documentário SiCko, de Michael Moore.
Prometo mostrar mais...

Veja Sicko trailer
Um documentário que todos os americanos deviam ver.
Por cá também devia ser passado em horário nobre na RTP.
Quando deixados à voragem das grandes companhias privadas, os Serviços de Saúde tendem a ser belíssimos negócios para elas, mas péssimos para os utentes.

Mensagem de abertura

Escrever num blog!? Será que alguém vai ler?
Eu vou e tu também, mano Gil. É quanto basta!

Faço de um poema de Miguel Torga a minha carta de navegação:

Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar, dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim, como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou, e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!