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Preservar para quem? Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina



Já falei aqui deste tema. Quando o fiz já tinha em mente este território protegido.
Sujeito a pressões por parte das autarquias e dos investidores turísticos e imobiliários e suscitando reacções, por vezes fundamentalistas, dos ambientalistas, este Parque Natural tem sido gerido, ignorando os interesses das populações locais. O ICNB tem tomado medidas muito contestadas e sem que haja uma acção educativa e informativa adequada. Falta entender, por vezes, a fundamentação científica de algumas normas de utilização em vigor nesse espaço, bem como de outras, que estão a ser propostas, e que suscitam a recusa dos órgãos do poder local.

Contrastando com esse rigor de preservação imposto pelo PNSACV aparecem, no entanto, projectos de urbanização e turismo, de legalidade e conveniência duvidosas. Aliás o próprio PNSACV tem realizado alterações da paisagem, como sejam vedações nas arribas, que não se entende o que visam proteger e que mancham o cariz selvagem da região. Felizmente que a verba de que dispõem é curta ou veríamos paliçadas de madeira ao longo de toda a costa.

Mais uma vez convém lembrar que qualquer política de protecção do ambiente requer, para ter sucesso, a adesão da população que lá vive. Negar o direito às populações que habitam em Parques Naturais, de realizarem actividades ambientalmente sustentáveis, deixando, depois, uma paisagem protegida para ser explorada por interesses turísticos externos e urbanizações para elites, constitui uma violação ética, social e jurídica.

Para aqueles que querem saber mais vejam:Notícias da Região Sul e Correio da manhã.
Se já conhece a situação talvez queira aderir à Petição online.



E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites, não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes, por vezes, ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.


Criança cala o Mundo

Se considerarmos que a ONU é uma instituição internacional formada por 192 Estados soberanos e fundada após a 2ª Guerra Mundial para manter a paz e a segurança no mundo, fomentar relações amistosas entre as nações, promover o progresso social e melhores padrões de vida e direitos humanos, então podemos admitir que naquelas cadeiras estão sentados praticamente representantes de quase todos os países deste nosso planeta. É o mundo que ali está. Pois em 1992 uma criança de 13 anos fez calar o mundo durante cerca de 5 minutos. O mundo, representado por aqueles 192 senhores, escutou atentamente, como se pode ver bem nas caras do vídeo que vos oferecemos mais abaixo, as palavras que ela disse e o quanto se encontrava revoltada com o que via à sua volta. E aplaudiram no final entusiasticamente como se tivessem decidido fazer o que ela pedia, não para ela mas para milhares de outras crianças e não só espalhadas pelo mundo. Apelou à sua consciência. Ela mostrava-se então indignada contra a destruição que se fazia do nosso planeta, das florestas, dos animais e das plantas. E dizia que sempre sonhara que um dia mais tarde quando tivesse filhos eles poderiam continuar a ver aves e borboletas cruzando o céu. Mas que já duvidava que tal viesse a acontecer. Refere também ter ficado chocada com as crianças que vivem nas ruas do Rio de Janeiro e que uma delas lhe dissera que se fosse rica daria a todas as crianças da rua alimentos, roupas, remédios, amor e carinho. E interpelou os presentes se não achavam que deviam cuidar de todas as crianças como cuidavam dos seus próprios filhos. Passados que são mais de 10 anos, convido-vos a “perder” alguns minutos e a verificar como nada do que ela disse foi afinal atendido, que as suas palavras continuam actuais e que milhões de crianças continuam a aguardar que o mundo as oiça e as trate como aqueles senhores tratam os próprios filhos. Oiçam bem, por favor.


Quando irão os grandes senhores da Terra resolver estes problemas?
Se todo o dinheiro gasto em guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso seria a Terra! Disse esta criança com 13 anos de idade.
Manifestem-se como entenderem e que todos possamos contribuir para dar a volta ao que está acontecendo.

Gil Montalverne

Extinção!




A equação é simples (+Homens)=(-vida selvagem).
A exploração dos recursos da Terra pela crescente população humana, de uma forma quase sempre desregrada, por populações sem conhecimento ambiental ou por grandes interesses económicos, faz da preservação da vida selvagem uma luta perdida.
O exemplo que se segue só me leva a questionar a viabilidade biológica e ecológica de tais esforços para preservar espécies cujos habitat estão definitivamente perdidos. Olho os futuros ZOO's como verdadeiros Parques Jurássicos. Estas inseminações destinam-se apenas a fornecer-lhes material altamente lucrativo.





In Odisseia "Inseminação artificial em animais" . Produção BBC.

Este filme não está censurado

Nas últimas décadas o cinema e a televisão tem vindo a formatar a sociedade dita "ocidental" vendendo-lhe ideias, padrões morais, modos vida e comportamentos.
Progressivamente a industria do audiovisual americana tem ganho mercado, quase exclusivo, nos EUA e, dum modo geral na Europa. Até nos países com uma produção audiovisual de grande qualidade como a França, Itália e UK, tem vindo a perder audiência a favor das grandes multinacionais. Em Portugal são quase inexpressivas as distribuidoras de cinema não americano.
O que, em termos de economia, parece ser mais uma invasão do livre mercado é na realidade um fenómeno de propaganda de dimensões monstruosas. Os valores que são veiculados pelo audiovisual americano são firmemente salvaguardados pela MPAA através do seu comité de avaliação dos conteúdos (Film Ratings). Este organismo, fundado por um personagem sinistro, Jack Valenti, é uma organização de defesa do Lobby da indústria do audiovisual, em que a identidade dos avaliadores (censores) é mantida em segredo e que decide o que é ou não aceitável , em termos morais, nas produções audiovisuais americanas. Penalizando fortemente as produtoras independentes e formatando as grandes produções, que podem ver os seus filmes reduzidos na sua audiência e, consequentemente, no seu lucro, esta dúzia de senhoras/senhores, cuja identidade se desconhece, decide da moralidade dos conteúdos e das cenas do cinema que nos chega às salas e TV's. E o apelo a essas decisões é um processo verdadeiramente Kafkiano.
Os critérios morais penalizam, sobretudo, as cenas de sexo e nudez, consentindo, generosamente, as cenas de violência, guerra e homicídio. E não me parece casual nem fruto de preconceito. A sociedade americana, e outras por arrasto, tem vindo a ser preparadas para a guerra. Enchendo o universo dos jovens com cenas de guerra, no cinema, na TV e nos vídeo jogos, em que não é mostrado o real efeito das armas, está a gerar-se uma base de recrutamento só comparável ao III Reich.
Kirby Dick, realizador do documentário "This film was not rated" (Este filme não está censurado) mostra este mundo sinistro com uma coragem e clareza notáveis. Em Portugal, para quem tem acesso aos TvCines, foi exibido recentemente. Distribuído pela Lusomundo e disponível em Clubedevideo.com (pesquise por Kirby Dick). Podem vê-lo, sem legendas, aqui.

Ratings



Violência, sim. Sexo e nudez, não.

Preservar para quem?

Não sou dado a crenças religiosas. Não tenho fé em Deuses. Não fui agraciado, como Eles dizem. Assim, não acredito num criador que se preocupe com a sua criatura. Seja para a proteger ou para a destruir. Também não partilho do eufemismo da "natureza criadora", essa inteligência que tentamos descobrir os meios e o móbil. É o trabalho da ciência, dizem-me. Das ciências da natureza. E não o são todas? Se todo o Universo é o objecto da ciência também as ditas ciências do homem terão de ser subordinadas às leis da natureza. As leis da matéria e da energia, para simplificar. Tudo é feito do mesmo. E sem qualquer propósito ou intenção.
Com esta convicção sou levado a pensar que só o homem se interessa pelo Universo. Ou pelo menos esses seres são os únicos que conhecemos com inteligência para o tentar compreender. Haverá algures no Universo outros seres que o possam fazer? Também não o creio. Talvez tenha havido. Talvez venha a haver. Na imensidão do Universo essa coincidência temporal de existirem duas civilizações como a nossa é altamente improvável, penso eu.
Mas, descendo à Terra, apenas encontramos o Homem e, para ele, apenas o homem pode medir a importância do que seja. Tudo o que importa, apenas importa ao homem. O homem é a medida de todas as coisas. Também ele é natureza e às suas leis não pode fugir.
Para quem é verdadeiramente ateu, o homem é a única razão de tudo. O Universo, e a Terra em particular, existiram durante milhões de anos sem o homem e, decerto, vão continuar a existir sem ele. Sem que ninguém o note.
Quando os movimentos que defendem a preservação da natureza agitam a bandeira "Salvem a Terra" fico sempre um pouco perplexo. Vamos salvá-la para quem? Porque ela é obra dum Criador? Parece-me arrogante. Decerto ele tratará desse assunto melhor que nós!
Vamos salvá-la para as outras formas de vida nela permanecerem? Nenhuma forma de vida está preocupada com a sua extinção. A Natureza decerto não está. A vida na terra esteve em risco de extinção várias vezes. Sabemos hoje isso. Está escrito nas rochas e, provavelmente, também nas rochas de outros planetas poderemos encontrar vestígios de vida extinta. As forças da natureza não são conservacionistas mas sim evolucionistas. Não fora a vida ser altamente contagiosa, incrivelmente resistente e dotada de mecanismos de adaptação engenhosos, e todas a formas de vida que hoje conhecemos não existiriam. E podemos estar certos que os fenómenos que levam a vida a mudar ou a extinguir-se se irão repetir. Talvez daqui a milhões de anos, talvez amanhã...
Dito isto parece-me só fazer sentido "salvar a Terra" para nosso próprio proveito. Só nós damos importância à Terra. Talvez faça mais sentido dizer: "Salvem o Homem!". Ou melhor: " Salvem o Homem enquanto for possível".
O problema é que o homem, a Humanidade, é um conjunto muito heterogéneo. Muito prolífero, também. Embora a população mundial se tenha multiplicado várias vezes no último século e que esteja quase a atingir o limite da capacidade deste planeta, ainda há quem defenda que a situação se pode prolongar até ao infinito. Além do mais o homem científico tem contrariado os mecanismos que a natureza dispõe para regular o aumento excessivo das populações. As doenças são combatidas. O homem vive mais tempo. As guerras matam pouco.
Mas não nos iludamos, os mecanismos de regulação funcionarão e acabarão por atingir o homem. A falta de capacidade para alimentar tantas bocas, as doenças que fogem ao controle, a capacidade destrutiva das armas nucleares e biológicas, e as alterações climáticas, farão da natureza e do próprio homem, actores de extinção. Ou, antes disso, a própria Terra ou outro corpo celeste o fará.
Mas nem todos os humanos estão expostos do mesmo modo a esse destino. Os mais poderosos terão mais possibilidade de sobreviver. E quando falo de poder faço-o de um modo global. Ao fim e ao cabo a evolução favorece os mais aptos. E perante uma súbita e catastrófica mudança do ambiente os mais aptos podem não ser os mais civilizados.
As políticas de conservação deveriam ter em conta esta realidade. Conservar um ecossistema cuja sua importância é reconhecidamente global, como é o caso das Amazónia ou outras áreas ainda selvagens, não deve ser feito sem ter em conta os seus habitantes humanos. As populações que vivem da pecuária, da agricultura de subsistência e da caça, e que habitam as regiões com interesse ecológico global tem de ser tidas em conta. Podem ser o único repositório genético humano face a uma catástrofe de dimensões épicas.
A uma escala mais regional, as acções de conservação da vida selvagem que não tem em conta as populações locais estão votadas ao insucesso. Não pode fazer sentido preservar espécies animais ou vegetais e negar os meios de subsistência tradicionais aos humanos sem lhes dar uma alternativa válida de sobrevivência. O eco turismo tem sido usado, com êxito, nalgumas reservas, mas no dia em que, por razões diversas, faltarem os turistas, as espécies animais e vegetais serão, justamente, sacrificadas para alimentar os homens.
Já nem falo do esforço patético para conservar espécies cujos ecossistemas estão irremediavelmente perdidos, vítimas duma explosão demográfica ou da ganância e luxo de uma população, dita civilizada, que explora, até à exaustão os recursos naturais, descurando até o seu futuro. Ou talvez fale, mas mais tarde...