Crescimento económico?

Vender! Vender cada vez mais. A crédito e a qualquer juro. Começa por ser apelativo, depois subirá até ser insustentável. O resultado está à vista.
Para quem acredita que a crise acabará para o ano, aqui está um pequeno apontamento.

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Sic Notícias - 60 minutos - Original CBS News

MAIS DO MENOS NO PRÓS E CONTRAS

No Prós e Contras de ontem falou-se de um tema que está na ordem do dia, claro. O Casamento civil para os casais de homossexuais. Os dois lados do debate passaram o tempo a defender os pontos de vista já conhecidos, agora com a Igreja (coitada!) metida pelo meio. Ela tem sempre de se meter onde não é chamada. Não deve haver religião no caso (não se trata de casamento religioso) nem devia haver política (para ganhar uns votozitos) mas o que ficou demonstrado é que o impasse continua. Os homossexuais não podem argumentar que os que não concordam com o seu casamento civil os consideram cidadãos de segunda. Está provado que isso não é verdade. A prova é que os homossexuais ocupam muitos altos cargos na nossa sociedade. Eles estão no aparelho do estado, são médicos, juristas, advogados, reconhecidos artistas de alto gabarito, actores, jornalistas, empresários, tudo para o qual tiverem aptidões. Não é verdade que haja descriminação se o seu comportamento perante quem não é homossexual seja o de um qualquer cidadão. E que isto não seja mal interpretado. Se o que está em causa - e nisso têm toda a razão - são os mesmos direitos jurídicos (assistência na doença do outro, direito à sucessão, partilhas por separação, etc.) isso deve ser legislado rapidamente e garantido. Mas o que pretendem é que a sua união de facto se chame casamento e aí é que está o problema. Devem compreender que é o mesmo que estarmos a mudar o nome das coisas que assim são há milhares de anos e que esse nome lhe foi dado numa condição única que eles não satisfazem: duas pessoas de sexo diferente. Isto até tem a ver com o direito à diferença. São diferentes, devemos respeitá-los, admirá-los e considerá-los com a dignidade que merecem tal como os que não são homossexuais. Ponto final. Parágrafo. Não é por os chineses terem os olhos em bico, os negros serem negros ou os índios terem um nariz mais comprido que os deixamos de considerar como nossos iguais. Espero não ser mal interpretado mas estou aqui pronto para as perguntas.

COITADO DO AMORIM

Já aqui falei da questão dos patrões que estão a enviar os empregados para o desemprego e lancei o apelo de que os ricos é que devem pagar a crise. Não falei em nomes. Mas o caso do "forreta" do Amorim das cortiças (e não só pois tem outras fontes de negociatas) brada aos céus (se é que por lá alguém ouviria). Então não é que o desgraçado, a maior fortuna deste país, com lucros em 2008 de 6 milhões de Euros, resolveu despedir por agora 300 empregados, argumentando que vendeu menos rolhas e ganhou menos que nos anos anteriores. E vai daí com os tais 6 milhões já não pode comprar aquele novo LCD que lhe encheria a parede da sala de uma das suas casas (sim porque tem mais do que uma, coitado) para ver TV em alta definição. E em vez de 2 bicas por dia ficava-se por uma. E já não podia ir passar férias com a família ao Dubai. Temos que ter pena dele, claro, com todas essas restricções na sua vidinha. Há cerca de vinte anos escreveu-me uma carta agradecendo um artigo que eu tinha feito intitulado "O Elogio da Cortiça". Está guardada. Mas apetece-me devolvê-la ao remetente com a inscrição: "Tenha vergonha senhor Amorim. Não é digno de ter utilizado uma matéria-prima tão virtuosa". E já agora, quando é que o Governo (bem sei que vivemos em Democracia e Liberdade) resolve pôr mão nestes casos da falta de vergonha de certos empresários como o caso do Amorim das Cortiças? Aguarda-se resposta urgente.

Religião e direitos humanos

Fico sempre algo perplexo quando ouço responsáveis religiosos abordar o tema do respeito pelas crenças. Das suas e das dos outros. Ninguém, hoje em dia, se atreve, publicamente, a pôr em causa o princípio da liberdade religiosa e do respeito que devemos guardar pelas confissões religiosas. Consensual é também, pelo menos no dito Mundo Ocidental, o respeito pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mesmo nos países onde se cometem violações diárias de tais direitos, eles são defendidos pelos responsáveis políticos, embora, dizem, salvaguardando a sua cultura e costumes.
No entanto, observando a doutrina e a prática das religiões mais difundidas e, com especial relevo, para os católicos e islâmicos, vemos que se torna quase impossível conciliar ambos os discursos.
Ao longo da sua história o cristianismo, cujos os princípios se encontram nos Livros Sagrados (Bíblia), foi actor de violações grosseiras dos mais elementares direitos do homem, mesmo tendo em conta as regras éticas e morais das diferentes épocas que atravessou. Se pusermos de lado a prática, que pode sempre ser desculpada pela fraqueza humana, e nos debruçarmos apenas sobre o conteúdo da Bíblia e pela doutrina emanada pelo Vaticano, vemos preconizadas inúmeras violações de direitos humanos. Principalmente se tivermos em conta que as mulheres representam mais de metade da humanidade. Durante muito tempo a igreja católica recusou o culto da mãe de Jesus e, quando ele foi aceite, ela teve de ter concebido o filho, sem recurso ao pecaminoso sexo reprodutivo. Maria, só mesmo Virgem. E veja-se a prática actual que nega o sacerdócio às mulheres e o direito ao casamento dos sacerdotes. A mulher é ainda olhada como ser humano de 2ª, embora encha as igrejas.
Quanto aos povos muçulmanos é melhor nem falar. Aí, com mais ou menos rigor, a mulher nem estatuto de ser humano tem. Na maioria dos casos nem participa dos actos religiosos. E o mais grave é que essa prática e doutrina está consagrada por inúmeras leis que violam, grosseiramente, vários direitos humanos.
Recentemente, D. José Policarpo veio pôr a nu aquilo que já está à vista de muitos. Casamentos religiosos mistos entre católicas e muçulmanos dá mau resultado. Eu diria que veio também mostrar que o respeito pelas crenças e costumes dos outros é uma hipocrisia.
Como respeitar as crenças, e as práticas que delas advém, e defender que a Declaração dos Direitos Humanos é Universal? Teremos o direito de, defendendo tais princípios, combater essas crenças e práticas. Combater pela palavra, pela política, pela economia e, até, pela força? Ou será que devemos privilegiar o respeito pelas tradições, leis, e religião dos povos que, em função dessa prática social, violam, diária e brutalmente, a Universal Declaração?
E como será visto por esses crentes o comportamento daqueles que não partilham essa fé? A tolerância não é uma prática comum nesse capítulo. A igreja católica tenta, por todos os meios, fazer lei das suas convicções. Tenta obrigar todos nós, mesmos os ateus ou de outras crenças, a viver segundo valores que deveriam ser só deles. No entanto, numa atitude ecuménica, dizem respeitar outros credos.
No mundo que respeita o Corão tem-se assistido a uma radicalização crescente e uma declaração de guerra santa aos infiéis. Mesmo nos países islâmicos em que a sociedade é mais laica, as vozes da fatah vão ganhando adeptos. Mesmo aqueles não fundamentalistas, com uma visão menos religiosa e uma atitude mais permissiva das sociedades, são, frequentemente, muito críticos dos costumes do mundo ocidental, particularmente no que se refere ao lugar da mulher na sociedade.
Poderemos deixar de fora deste dilema o respeito pelo conhecimento cientifico? Como conciliar a verdade da ciência com a crença religiosa? Não me refiro à fé filosófica da existência de uma entidade divina, mas sim aos dogmas com raízes num passado sem ciência, que as igrejas se empenharam em reduzir, fazendo valer o texto das escrituras sagradas para explicar a origem do homem.

Enquanto há Esperanza, há vida!





Esperanza Spalding!
Mais um fantástico resultado de talento e formação musical apadrinhada por Pat Metheny.
A mais jovem professora da Berklee College of Music.
Se gostaram vejam mais no Youtube.
Em Portugal no CCB cantou Ponta de areia, em português.

QUEM PAGA A CRISE?

Desde que ela disparou globalmente e nos atingiu, por causas externas ao nosso país mas também internas que todos os dias lemos e ouvimos falar da crise. Estamos a vivê-la e a sofre-la. Há processos a correr, corrupções a investigar, falências por aqui e por ali e sobretudo o aumento desesperado do desemprego.Recordo uma crise anterior em que os trabalhadores, e não só, vieram para a rua manifestar-se e se tornou slogan contante a frase “Os ricos que paguem a crise”. Aquilo a que estamos a assistir diariamente são declarações de administradores de empresas – muitas vezes sem darem a cara – participando que vão entrar ou entraram em processo de falência e que centenas de trabalhadores vão para o desemprego. Também tem sido noticiado até por pessoas responsáveis que muitas dessas falências são fraudulentas aproveitando a crise actual, depois de terem recolhido os recentes apoios financeiros, para entrar em falência. Creio não exagerar se chamar a muito do que se está a passar como verdadeiro crime que deveria ser investigado – e nem todos o têm sido – para perguntar a esses senhores o que fizeram ou fazem ao dinheiro. É um facto que o comércio diminuiu, diminuiram os compradores e portanto diminuiram as encomendas e exportações (no caso de ser essa a grande fatia do negócio). Não há dinheiro no bolso do consumidor que se retrai ou resolve fazê-lo receando o futuro. Mas muitos empresários enriqueceram de forma esmagadora. Guardaram os seus lucros, fruto do trabalho daqueles que agora querem enviar para o desemprego, isto é para a miséria e fome. E são estes afinal que vão pagar a crise. Os grandes senhores, empresários, administradores, etc. conservam o seu dinheiro. É caso para dizer “basta!”. Vamos acabar com esta trafulhice. E se há crise ... Os ricos que paguem a crise!

Negar SEMPRE

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A estratégia é velha e muito usada por políticos e maridos infiéis:
Negar. Negar sempre, mesmo quando apanhado em flagrante.
Invocar conspirações, campanhas negras (ou azul escuro) também se mostra adequado.
Enquanto há vida, há esperança...