O gene altruista

Com o crescente conhecimento do genoma humano, área científica que agora desponta, poderemos vir a descobrir que muitos dos comportamentos ou tendências comportamentais são geneticamente determinadas. Características comportamentais que antes se atribuíam ao ambiente social, poderão, afinal, serem inatas e apenas favorecidas ou não por esse ambiente.
Um factor, que seria determinante, teria a ver com o sentimento de partilha em detrimento do factor egoísta que muitos afirmam regular toda a evolução animal e que só se verifica no homem e, como se tem descoberto recentemente, nos primatas superiores. Esse sentimento, que o homem só manifesta num estado de desenvolvimento pessoal tardio, e que implica o reconhecimento do outro como seu semelhante, com igualdade de sentimentos e direitos, pode ser o cimento de um sentido social de partilha.
O gene altruísta, que nas sociedades individualistas e competitivas tende a ser recalcado por uma organização familiar restrita, baseada no casal, pode afinal estar na génese da evolução que fez o homem vingar num ambiente tão desfavorável. A coesão social que assenta nesse reconhecimento do outro, como igual, pode ser a chave do êxito evolutivo do ser humano.
A psicologia evolutiva está a explorar essas áreas do conhecimento e grandes avanços na definição da natureza humana serão de esperar nas próximas décadas. Steven Pinker é um dos precursores desta pesquisa. Veja aqui.

Portugueses e Off Shores



A notícia foi transmitida por todos os canais de TV. Os portugueses investem em OffShores:Os portugueses aplicaram, no primeiro semestre deste ano, em produtos financeiros sediados em offshores 6,1 mil milhões de euros, valor que representa um aumento de 13,4 por cento face a igual período de 2008, noticia o «Correio da Manhã», citando dados do Banco de Portugal.
Só me lembrei daquela anedota em que um qualquer apresentador de um concurso televisivo pergunta a um concorrente: Como se chamam os habitantes de Beja? O homem arregala os olhos de espanto e pergunta: O quê? Toooodos?
Jornalismo do melhor!

Energia nuclear

Se quer ficar informado sobre energia nuclear (da bomba ao reactor) assista a uma série de vídeos da Universidade de Berkeley com o Professor Richard A. Muller.
Aqui fica o link para o Fiel Inimigo que congratulo pela publicação.

Portugal é um grande BPN

Mais uma vez ouvimos a verdade mas quanto às soluções, nada. Talvez porque não existam.

Fusão a frio



Era tão bom se fosse verdade. Quantos interesses iria destronar...

Maldivas - O lado obscuro do paraíso - Ep. 2



Como em toda a parte, também no Paraíso, quem tem dinheiro safa-se. Para eles tanto faz que as alterações climáticas sejam naturais ou provocadas pelo homem, que sejam aquecimento ou arrefecimento. À cautela, vamos subir uns metros acima do nível do mar.

Maldivas - O lado obscuro do paraíso - Ep. 1



SIC - Notícias - Toda a verdade - Infelizmente não disponível no site da SIC.

De realçar o meritório serviço público que a SIC presta com a divulgação dos mais importantes documentários sobre temas que deveriam ser obrigatórios em todas as programações em horário nobre da RTP. Especial destaque para 60 minutos, Toda a Verdade
e Reportagem Especial.

Ecologia - Espanha

Três bons exemplos de aproveitamento de energias renováveis de nuestros hermanos

O eixo do LUCRO


Recentes visitas ao Fiel Inimigo confrontaram-me com uma realidade interessante. Homens da minha geração, suponho, cultos ou, pelo menos, eruditos, assumidamente conservadores mantêm um espaço de debate, normalmente entre eles, com objectivos vários que, penso, identifiquei. Muitos deles, escondidos atrás de pseudónimos e sem revelarem seu perfil, vivem horas nesse espaço lúdico.
Como sociedade modelo defendem os USA onde, dizem, existe a melhor ciência, admiram o extinto Bush, olham com desdém Obama, embora este tenha sido eleito com os votos da maior parte dos cientistas.
Como inimigo de eleição escolhem o mundo islâmico que asseguram ser a nossa maior ameaça e, logo a seguir, a esquerdalhada que defende a multiculturalidade. Imbecis, estúpidos são, na sua boca, os adjectivos para tal gente. Tal agenda inclui também ambientalistas (esquerdalhada). Não acreditam que o homem tenha uma influência nefasta no ambiente e afirmam que existe uma conspiração para nos convencer que o progresso é mau e inimigo do ambiente. Poluição pode ser boa, se vier dos USA, péssima se vier da China (comunas).
A nível de política caseira acham que o 25 de Abril foi uma revolta da corporação militar da qual os comunas se aproveitaram para conquistar o poder e instituir a sua ditadura. Todos os que se opuseram ao regime estão neste grupo. Como tal acham bem a proposta do Jardim (que admiram) para alterar a constituição proibindo o comunismo.
Talvez esteja a exagerar um bocado mas o clima é este. Cinzento metálico com mais ou menos cor consoante o moderador.
Depois de me envolver nalguns comentários aqui e ali decidi pensar sobre o assunto.
Pasmo como, neste mundo globalizado, ainda há gente erudita que acredita noutra lógica que não seja a do LUCRO. Apetece-me deixar aqui uma equação que, de forma simplificada, expõe o meu ponto de vista.

L=T/(S+MI+Cs+R)

L - LUCRO
T - Constante (Planeta TERRA)
S - Salário
Mi- Matéria prima, energia, equipamento e outros recursos
Cs - Contribuição social e impostos
R - Corrupção, luvas, financiamento ilegal de partidos etc.


Não se trata de uma equação matemática mas sim social e tem de ser entendida a nível planetário, embora possa ser aplicada às empresas de grande dimensão.
Esta equação comanda o mundo e quem vive do LUCRO tenta maximiza-lo o mais possível e, para tal, tem de reduzir, até aos limites do mercado, os factores S, Mi, Cs, e R.
Claro que quem vive apenas do salário (classe trabalhadora) ou da exploração das matérias primas (alguns países subdesenvolvidos ) estão em conflito de interesses com os que vivem à esquerda da equação. Em conflito com o LUCRO estão os estados sociais, e as forças políticas ou os agentes políticos que estejam honestamente empenhados na equidade social.
Democracias, ditaduras, conservadores, liberais, comunistas, não importa. Fronteiras para o LUCRO não existem. LUCRO é poder. Mais LUCRO igual a mais poder. Não respeita religiões, ideologias.
Os ismos são para os explorados e oprimidos que vivem de salário de miséria que apenas os mantêm no limiar da pobreza ou para os que pertencem ao desemprego e que aceitam qualquer coisa para sobreviver.
Os chefes religiosos, políticos e, muitas vezes até cientistas, estão ao serviço do LUCRO. Do seu pequeno lucro e do GRANDE LUCRO.
Qualquer actividade humana acaba por servir este Deus, seja ela arte, ciência, religião, política ou tecnologia.
As classes ditas médias vivem, por vezes entaladas nesta equação pois dividem o seu rendimento entre o salário e o pequeno investimento em acções cotadas na bolsa. Dá-lhes a ilusão de serem donos dos meios de produção mas, na realidade, as bolsas são controladas pelos grandes accionistas que clamam por mais LUCRO de ano para ano.
Em crise, o que fazem é diminuir o valor de S, Mi, e Cs. Não vale a pena chamar capitalismo a esta realidade. Nos poucos países de ideologia comunista as empresas podem ser estatais mas a lógica é a mesma. Quem vive do LUCRO, tudo fará para o aumentar. O crescimento económico e o aumento da produção tem como objectivo aumentar o LUCRO. Quanto às médias empresas o modelo é o mesmo, nem sempre bem sucedido. Os pequenos negócios, que visam satisfazer as necessidades salariais dos seus proprietários e familiares, quase sempre não tem lucros.
As empresas são criadas para ter LUCRO, não para criar postos de trabalho ou para terem um papel social. Compete à sociedade, através dos governos e dos mecanismos políticos transnacionais e ONG's, que esta equação se equilibre evitando que S e Cs se reduzam a quase zero e tentando diminuir o factor R.
Na história da humanidade apenas as sociedades primitivas, sem actividade comercial, não funcionaram deste modo. Com a globalização, este modelo expandiu-se pelas fronteiras geográficas e ideológicas concentrando o LUCRO nas mãos de uma classe crescente mas pouco numerosa quando comparada com os biliões de dependentes do salário.
Com a actual crise, esta dinâmica fica bem exposta e assiste-se até a um surpreendente financiamento de grandes grupos económicos pelos estados de tendência liberal o que equivale a Cs<0 para L>=0. Não vale a pena discutir se é capitalismo ou não. É a realidade.
Algo pode contrariar esta realidade? Só mesmo o conhecimento. As sociedades mais cultas defendem-se melhor do exagero do LUCRO mas, confortáveis com os seus níveis de vida, tendem a ignorar que o seu bem estar se apoia na exploração de mão d'obra barata e de matérias primas exploradas a baixo valor em países em que as populações vivem em miséria e os seus dirigentes na mais abjecta ostentação.
Evidentemente que quem pensa, sabe isto e, se o defende, diz de que lado da equação está ou quer estar.