Ciência e Humanidade




Quero começar por, mais uma vez, declarar o meu ateísmo ou, mais precisamente, agnosticismo. Não combato a ideia de uma inteligência cósmica nem a defendo. É-me indiferente. Não acredito que a inteligência humana possa, alguma vez, negar ou provar qualquer existência do divino.
Dito isto e, como recentemente, me vi envolvido numa polémica saborosa com alguns jovens, ligados de um modo ou outro à ciência, e que me atrevo a classificá-los como adeptos do cepticismo ciêntífico, com todos os riscos que envolve esta minha posição, apetece-me clarificar e alargar.
Apesar dos meus modestos conhecimentos científicos e filosóficos, comparados com aqueles que estes jovens exibem e que, muito sinceramente admiro, acho que tenho o direito à minha opinião e posicionamento intelectual face à vida e ao pensamento. E por duas simples razões:
1 - Considero-me razoavelmente culto (nunca se é demais ou de menos)
2 - Penso. Desde que me conheço.
Como, provavelmente, todos temos as mesmas duas razões, estou sempre pronto para ouvir o contraditório.

O conceito que me levou à dita polémica e que; depois, foi desfocado para o exemplo que usei para ilustrar a minha ideia, consiste em afirmar que o mecanismo intelectual de conhecer se confunde com o de acreditar.
Ilustrando: eu sei que, na terra, os objectos caem e acredito (fortemente) que a matéria e energia se relacionam pela famosa E=mc².
Acredito (I beleive) que o homem foi à Lua (há quem não acredite).
Acredito que o Universo é infinito (a maior parte  das pessoas, que pensam nisso, não acredita)
Acredito (fortemente) que, se existir alguma inteligência cósmica, que tudo governa, ela se está nas tintas para mim.
Se fizer um balanço a tudo aquilo que conheço, tenho de admitir que a maior parte é crença, que eu me empenho, activamente, por fundamentar. E acredito (fortemente) que o mesmo se passa com todos nós.
E não estou só :

Fé e conhecimento

De acordo com a tradição filosófica, é considerado conhecimento uma crença que seja verdadeira e adequadamente justificada. Dessa perspectiva, dizer que acredita em algo sem alegar que isso constitua conhecimento não é contraditório; é apenas incomum, já que normalmente se supõe que as pessoas com determinada crença afirmem que ela seja necessariamente verdadeira (e a parte da justificação costuma ser simplesmente esquecida).
É importante destacar também a crise do conhecimento exato, causal ou científico. Hoje a crença em verdades justificáveis perderam credibilidade na medida em que a verdade também pode ser concebida como a "substituição de erros grosseiros por erros menos grosseiros", segundo as palavras de um conhecido filósofo. Ou que "o conhecimento pode ser entendido como o eterno questionamento do mesmo". Logo, a razão humana perde seus limites sólidos com a fé, visto que esta de certa forma também agrega lógica e provas (milagres), perfeitamente cognicíveis para uma grande parcela da população.


Por isso crença e conhecimento não são incompatíveis. Pelo contrário, são graus diferentes de percepção do real. O homem evoluiu, ao longo de milhões de anos, usando este mecanismo para se relacionar com o ambiente, tentando fundamentar a sua vivência com imagens subjectivas do real (crenças) justificando-as com seres divinos que se identificavam com as forças da natureza a par do conhecimento empírico. Só nos séculos mais recentes (pequeno episódio evolucionista), o homem utiliza o método científico para explicar a realidade, para a prever e para com ela interagir. Por isso o funcionamento cerebral (é disso que estamos a tratar) mantém-se. Serão necessários(?) muitos milénios de pensamento cientifico para modificar a máquina bioquímica que suporta o pensamento, como aconteceu para a linguagem, que se autonomizou, criando uma área especializada.
Estamos, portanto, a usar o mesmo equipamento cognitivo que os egípcios usaram para conceber, projectar e construir  as pirâmides. Com as mesmas limitações estruturais.

Cérebro:
Também usamos o lado esquerdo do cérebro para controlar nossa fala, um processo infinitamente complicado que nenhuma máquina é capaz de dominar. Pequenas partes separadas do hemisfério esquerdo cuidam das ações necessárias para a escrita, para o som que produzimos quando falamos e para dar nome às coisas que podemos ver.
Algumas vezes uma pessoa de idade sofre um derrame que afeta essa parte do cérebro e então não é mais capaz de falar adequadamente.
A parte esquerda do cérebro funciona dessa maneira na maioria das pessoas, mas nos canhotos o lado direito do cérebro pode ser a metade "lógica". Em algumas pessoas canhotas, a fala pode ser controlada por ambos os lados.
http://www.geocities.com/seriecorpohumano/ocerebroeosistemanervoso.htm


Como conclusão quero, e essa é a questão fulcral, salientar a posição quase dogmática de muitos cientistas (físicos e matemáticos, normalmente, mas também de outras das ciências da natureza), jovens e não tão jovens, que vêem na ciência e no seu método a solução para todos os problemas da humanidade.
Esquecem, mas não ignoram, que a humanidade evoluiu sem essa ferramenta que, decerto,  veio resolver muitos problemas e melhorar a qualidade de vida de muitos (grande parte da população ainda vive sem ela), mas também criou outros que, acreditamos, ela possa vir a resolver.
Mas a ciência é abstracta. Cabe aos homens utilizá-la a bem da humanidade ou contra ela. Ambas as práticas tem sido observadas e não colhe o argumento de muitos cientistas de que a missão deles é fazer ciência e que a decisão de como usar esse conhecimento cabe aos políticos.
Mas a sua intervenção na coisa pública exige um conhecimento científico, filosófico, histórico, social e religioso do homem, tão esquecido na formação académica que se pratica no nosso país e não só.
A ética e a moral, que as religiões difundem e frequentemente desrespeitam, pode ser um subproduto de uma crença não fundamentada, mas foram, e ainda são, a diferença entre o homem civilizado e a barbárie que assola grandes sociedades. Apesar da ciência.

Termino com uma frase atribuída ao que foi, muito justamente, entendido pelo trabalho cientifico e pela personalidade, o homem mais notável e ícone da ciência do século XX:  Albert Einstein

O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer 
 Como vejo o Mundo

Cavaco e ratos

A montanha(?) pariu um ninho de ratos.
Não viu? Não acredito! Reveja aqui.

Mafalda? Vivi com ela.

 A contestária que faz falta. Aqui fica uma referência que aplaudo.

Roads

Roads

Ohh, can't anybody see
We've got a war to fight
Never found our way
Regardless of what they say

How can it feel, this wrong
From this moment
How can it feel, this wrong

Storm.. in the morning light
I feel
No more can I say
Frozen to myself

I got nobody on my side
And surely that ain't right
And surely that ain't right

Ohh, can't anybody see
We've got a war to fight
Never found our way
Regardless of what they say

How can it feel, this wrong
From this moment
How can it feel, this wrong

Eleições

 Aqui deixo o meu modesto contributo ao período eleitoral que atravessámos: clicar para rir

Saúde num país pobre - USA - 3º episódio

Estará Obama numa luta perdida por outros, no passado, em vias de mais uma derrota? Esperemos que não, para bem dos milhões de americanos que enfrentam um sistema de saúde abaixo dos padrões da maioria dos países civilizados.



SIC-Notícias / CBS News - 60 minutos

Plano Obama-Biden health plan

Obama Health Care Speech

Conhecer ou acreditar ?

Para não me repetir e como o tema pode interessar aos poucos frequentadores deste espaço aqui fica o link: Tenho estado no blogue do lado .

Nefertiti - Wayne Shorter

Apetece-me deixar aqui uma nota autobiográfica que, de certo modo, responde a alguns amigos que me perguntam qual a música da minha preferência. Fico quase na situação de, ao observar uma noite estrelada, ter de escolher qual a estrela que prefiro.
A música sempre me fez sonhar acordado. Tenho gravações, no velho vinil, que quase se gastaram, de tanto serem ouvidas. Uma delas, que já deixei para o meu filho, foi o álbum de Miles Davis, Nefertiti. Comprei a edição em CD e continuo a ouvi-lo.
Não sei explicar porquê, mas a audição dos temas Nefertiti e Fall desse album, sempre me fizeram sonhar com o mar. Viajar sem destino num mar calmo de verão, longe da costa, tendo por companhia o remorejar do casco, cortando as águas, e o piar das gaivotas voando sobre mim por puro prazer. Por certo o seu autor, Wayne Shorter, nunca se meteu num barco e isso prova que a música nada significa para além dela própria.
Muitos anos decorreram até poder concretizar esse sonho mas, já depois dos 50, pude aliar esses dois supremos prazeres: vela e jazz. Nada mais sublime que realizar um sonho. Velejar ao som de Miles, nesse clima de contemplação e liberdade que as composições de Shorter, pontificadas pelo piano de Herbie Hancock e pela bateria de Tony Williams, deram a este final da época acústica de Miles. Só lamento que essa experiência não tivesse sido partilhada por outras almas, mas faltava sempre um elemento comum; estavam indisponíveis, não gostavam de Miles ou enjoavam...
Porquê esta história agora? Quando acordamos de um sonho temos necessidade de o partilhar com outros, sem entender que um sonho não pode ser partilhado.
Aqui apenas posso partilhar a música:
No original :Nefertiti
e na versão de um talentoso e desconhecido pianista:



Para ouvir 30 segundos de cada tema do álbum ou para comprá-lo clique aqui

TORTURA

O homem pode atingir os mais baixos níveis de compaixão, moralidade e sentido ético.
No documentário que apresento (in SIC Notícias - BBC), o recurso à tortura para obter informações dos suspeitos de terrorismo, não é posto em causa por falta de ética ou moral, mas sim por não ser eficaz ou legal.
Triste tradição praticada por todos, desde a inquisição, passando pelo nazismo, Estalinismo, vietcongs e extremistas de todos os credos. O homem no seu pior.

~

Fibra, para que te quero!?

Enquanto as operadoras de telecomunicações se empenham em criar redes de alta velocidade com limites de download super generosos, as multinacionais do audiovisual, ao abrigo de direitos de copyright leoninos, pressionam governos a legislarem contra os direitos de privacidade dos cidadãos.
Na Suécia, que conta no seu parlamento com um deputado (
Christian Engström) que defende uma revolução nos direitos de copyright, acontece isso e isto.

Por cá já foram instaurados processos...

Não tarda que apenas nos seja dado acesso ao que os sites oficiais das TV´s e produtoras mundiais de conteúdos nos querem dar.

Meo Dei! Meo Dei! Estou a ir ao fundo!

Os Blogues são como as cerejas...

De blog em blog fui parar a um dos mais interessantes que conheço: Que treta!
Temas que me são caros, como religião e conhecimento são aqui tratados magnificamente. Política e economia também, com ideias muito interessantes
Fiquei cliente e recomendo a todos os querem saber mais. Quanto aos comentários há quem saiba o que diz e também muito lixo; o costume!

El Sistema - Música contra a exclusão

Este tema é-me, particularmente, caro. Já postei aqui e aqui.
Desta vez trago um documentário sobre esse projecto de inclusão social através da música, que decorre na Venezuela, há 30 anos, e que demonstra bem o poder desta forma de arte e comunicação.
Como melómano, a quem a música já salvou a vida várias vezes, e como sonhador de uma nova sociedade, mais justa e culta, vejo este projecto com grande apreço. A qualidade dos músicos que El Sistema produziu e produz, já ultrapassou fronteiras, sendo Gustavo Dudamel o seu mais mediático exemplo.
El Sistema é suportado a 90% pelo estado venezuelano e tem atravessado vários períodos políticos mercê de uma exemplar gestão estratégica e visão do maestro José António Abreu, seu criador.
O documentário é aqui apresentado em dois módulos por comodidade de upload e para facilitar o seu visionamento em duas sessões.

El Sistema Ep:1


El Sistema Ep:2



Apresentação de RTP2 e não disponível online.

Luta contra a droga. Nova abordagem na América Latina

Um importante passo foi dado por alguns países latino americanos, despenalizando o consumo de drogas psicotrópicas. Em Portugal foi adoptada a mesma prática elogiada internacionalmente. A completa despenalização e o assumir, pelos estados, do controle, distribuição e produção, é defendida como sendo a única via para terminar com o flagelo do tráfico dessas substâncias. LEAP é uma associação de juízes, advogados e polícias que nos USA defende essa posição.
Ver outros posts aqui e aqui.

VALE TUDO PARA ARRANJAR VOTOS

Por casualidade vi recentemente um filme baseado na história verídica de Stan Williams, um negro condenado à morte por ter assassinado membros de um bando rival, idêntico aos muitos existentes nos bairros de cidades norte-americanas. Na sequência das entrevistas de uma jornalista que desejava escrever um livro sobre a sua história, Williams consegue convencê-la a escrever não um livro sobre aquilo que motivara a sua condenação mas sim livros para crianças onde ele lhes dava conselhos para evitar a violência e a combatê-la utilizando o amor e atitudes complacentes, alcançando a paz e boa convivência entre todos os habitantes do bairro. Os livros tornaram-se best-sellers nos Estados Unidos e noutros países nomeadamente a África do Sul. Williams recebe na sua cela a mulher de Nelson Mandela e é proposto por altas personalidades para candidato ao Nobel da Paz e também ao da Literatura. Apesar das atitudes intransigentes de muita população branca que insistia na sua condenação à morte, quando tudo parecia conduzir, perante aquele homem totalmente modificado em relação ao seu passado, ao perdão da pena máxima a que tinha sido condenado depois de 20 anos numa prisão de alta segurança, o pedido de clemência é negado pelo Governador do Estado da Califórnia e Williams é rapidamente executado no ano de 2005.
O Governador do Estado da Califórnia era e é ainda o ex-actor Arnold Schwarzenegger.
Imagina-se como necessitava dos votos para manter o seu mandato e os obteve enviando para a pena de morte um homem que merecia ser posto em liberdade.
Quantos Schwarznegger andarão por aí comprando os votos que necessitam para manter o poder à custa de muito sofrimento e muita dor.

Como eu gostava de ter escrito isto!

Aqui deixo o meu apreço por um texto de ML e pela sua publicação no Fiel Inimigo
Tudo se resume a um problema de fé: 90% daquilo que sabemos é, apenas, uma crença.

Trabalho precário

A percentagem de trabalhadores precários no nosso país tem vindo a aumentar. Um em cada 5 trabalhadores em Portugal está a "recibo verde", sem protecção social na doença, sem segurança no emprego, sem qualquer dos direitos que foram consagrados pela constituição. Quem os emprega? Todos os sectores da economia mas, o que mais pratica esta contratação é o Estado. Veja o blogue da associação FERVE

In your eyes

Fantástica recriação de um belo tema de Peter Gabriel. Dianne Reeves e uma banda de luxo. Repare-se no solo do Mr Ruiz ao piano. O coro final, um pouco para o desafinado era dispensável, mas já sabemos como são os festivais.
Mais música e menos política. Estou farto da campanha eleitoral!

Porquê Medina Carreira?




Uns amigos, que se dão ao trabalho de ler as asneiras que aqui escrevo, questionaram-me porque gosto tanto do Dr. Medina Carreira. De facto já publiquei algumas das entrevistas que Mário Crespo fez a esse Senhor. Mas tal preferência não tem a ver com uma simpatia especial pela pessoa, mas sim pelas palavras desabridas que usa para, de uma forma politicamente incorrecta, fazer o diagnóstico social, económico e político desta jangada à deriva que é Portugal.
A crítica que faz aos partido que tem estado no poder (PS & PPD/PSD) é partilhada por mim e muitos milhares de portugueses que, na maioria, se refugiam no politicamente correcto e continuam a votar, diligentemente, como se a vida democrática nada mais lhes pedisse. Acontece que os partidos, assaltados por pessoas sem ideias e profissão e dirigidos por quem deles se usa para tratar das suas vidas, têm sido abandonados por pessoas como o Dr. Medina que não quiseram perder tempo nem dinheiro e foram tratar das suas vidas fora das intrigas e jogos de poder partidários. A sua entrega à causa pública teria feito toda a diferença.
A visão economicista e liberal defendida pelo Dr. Medina também não me seduz embora compreenda que para um país que quase nada conta na cena internacional e não faz valer os seus trunfos, o caminho que lhe resta é jogar, o melhor que pode, o jogo viciado do crescimento económico. Na verdade, a frase que destaquei, "Não há gente, não há ideias, não há país e não há esperança" bem pode ser conjugada no plural pois é essa a cena a que se assiste no mundo globalizado: Quem o controla tem, como única ideia o lucro, não respeita países e a sua esperança é aumentar os lucros.
Interrogo-me sobre o que move o Dr. Medina e não gostei nada da sua demagogia tendo como suporte o gráfico que apresento:



Estarão aqui representados os valores do crescimento económico do país, nos últimos 110 anos, e não me atrevo a questionar a sua veracidade. O que me incomoda é que a ideia que se fez passar foi, com a colaboração diligente de Mário Crespo, que a economia e o país em geral, estavam melhor nos períodos de maior crescimento económico, como sejam as décadas de 60 e 70. Como qualquer português sabe, isso é falso. Exactamente por se estar a sair de uma era de atraso, é que essas épocas foram de crescimento económico que, dificilmente poderia manter esse ritmo até aos dias de hoje. A ideia foi repetida e a não apresentação de outros dados, como o aumento do produto per capita, o aumento do valor da exportação e outros indicadores que, conjugados, revelam progresso, escondeu que o país progrediu, globalmente, segundo os padrões do capitalismo. Isto não invalida a realidade dramática que o país atravessa, resultado do crescente endividamento e do desbaratamento criminoso dos fundos vindos da Europa.
Em suma, as soluções apontadas pelo Dr. Medina são "mais do mesmo". Claro que precisamos de melhor justiça, de melhor ensino, de mais rigor, de melhores partidos, etc. São necessidades, não soluções. Essas terão que ser à escala dos problemas; globais.
A propósito deixo aqui a frase da semana que selou o pseudo debate entre Louçã e Gerónimo e que se atribui a esse perigoso comunista, Almeida Garrett:
Quantos pobres são precisos para fazer um rico?
Aqui deixo a resposta: Cada vez mais!

Medina Carreira volta a atacar!

É sempre um gozo mas já chega de diagnóstico. Venha lá uma solução! Isto também eu sei dizer...
" Hoje não há gente, não há ideias, não há país e não há esperança..."