Israel e Palestina

Nunca pensei que na minha procura de informação mais detalhada sobre o conflito do Médio Oriente, e da resultante publicação de uma entrevista aqui de um historiador Israelita sobre as origens do povo judeu, e pelos meus comentários no Fiel Inimigo, aqui, viessem desencadear uma tão abundante e verborreica reacção sionista, aqui, aqui, aqui, aqui.
Já me tinha apercebido que um dos alvos preferidos de alguns editores desse blog , era o mundo islâmico e, particularmente, os árabes. Como também tenho razões de sobra para não simpatizar com as práticas religiosas, sociais e legais da maioria desses países, alguns debaixo de rigorosas ditaduras, pensei que os motivos eram os mesmos.
Contrariamente, tenho apreço pela cultura judaica, nas suas mais variadas qualidades, que deram ao mundo numerosos cientistas, músicos, escritores, filósofos e intelectuais  de reconhecido valor. Muitos deles abandonaram e contestaram a religião judaica mas, como nasceram em famílias judaicas, continuaram a ser considerados judeus. Obviamente que o ADN de um judeu é igual ao meu e, portanto, a ideia que serviu de base ao holocausto nazi, de que se é judeu por via uterina, rejeita-se liminarmente.
Perseguidos desde há séculos, pelos países católicos como o nosso, o abandono  dos judeus em Portugal teve um impacto cultural deficitário sendo, talvez, uma das razões do nosso ancestral atraso.
As minhas simpatias, porém, não me fazem cegar ao que se passa no conflito israelo-árabe. A constituição e independência do estado de Israel, as guerras com a anexação de mais território e a criação de milhares de refugiados, criaram uma situação de reacendimento do ódio dos extremistas islâmicos, cada vez mais numerosos, com um fim imprevisível.
Muitos judeus, dentro e fora de Israel, tem levantado a sua voz crítica e a comunidade internacional condena os excessos do governo e das forças armadas israelitas, mas continua a apoiar, financeiramente e diplomaticamente, esse Estado.
Para os que, honestamente, queiram saber a história do Estado de Israel e da Diáspora judia e dos vários conflitos que levaram à situação actual, vou deixar algumas ligações:


Estou aberto a que me apontem outros textos, que contradigam os que aqui apresento. Não tenho paixão por qualquer lado do conflito que, como em todas as guerras, tem algozes de ambos os lados. Mas , pela minha formação académica, moral e ética, não admito que me bombardeiem com argumentos de falsa história quer eles surjam de uma genuína convicção ou sejam manipulados por uma obscura desonestidade intelectual, ao serviço de uma qualquer Seita, Religião ou Estado.
A verdade não precisa de ser gritada com insultos trauliteiros.





O Ártico aquece.




O Ártico continua a aquecer, por culpa da actividade humana ou não, está por esclarecer.
Cientistas, não políticos, tem vindo a publicar artigos resultado de observações feitas no local.

Everything it's free, in América...

Duas imagens do actual American Way Of Life





Um povo inventado?

Blues de Cabo Verde

Prometi (ML) e aqui está. Jazz com modo de Cabo Verde, por um pianista de descendência caboverdeana. Horace Silver (Horace Ward Martins Tavares da Silva) e outros famosos do Bebop, muito antes de Cabo Verde e sua música estarem na moda.



Qualquer semelhança não é coincidência. O mesmo acorde base e o mesmo rítmo.

Os animais, nossos amigos #1





Fui criado com gatos, coelhos e galinhas. Gatos na cama, por todo o lado. Galinhas na capoeira, onde morriam de velhas. Coelhos que eram trocados por outros, já mortos, que lá por casa ninguém tinha ganas para os matar.
Em 1975 apaixonei-me por aquários e, na aquariofilia em moda crescente, conheci pessoas com igual paixão. No Centro Português de Actividades Subaquáticas, CPAS, encontrei amigos, informação e motivação para aumentar as fronteiras do meu aquário até ele se tornar no Oceano Atlântico. Herculano Trovão foi o grande inspirador (guardo saudades). Dias e noites de longas conversas sobre peixes, sua manutenção e reprodução foram absorvendo todo o meu tempo livre e alargando esse circulo de amigos, que ainda hoje mantenho, embora parcialmente, pois a vida e a morte se encarregaram de o diminuir.
Gil Montalverne é um desses resistentes. A minha admiração pela sua personalidade e conhecimentos e pela sua jovialidade, apesar de nos separarem uma geração, começaram aí. Com ele fui para o mundo submarino, botija às costas. Com ele aprendi a fotografar a natureza. Foi ele o inspirador das minhas preocupações ecológicas. E com ele ganhei o gosto por manter e estudar animais exóticos. Cobras, falcões, corujas, lagartos, iguanas, camaleões, escorpiões e peixes tropicais e indígenas, claro. Na época éramos olhados como um grupo de doidos inofensivos. Os coca-bichinhos, literalmente.
Os meus aquários  marinhos, deleite dos meus amigos, com as suas esplendorosas anémonas nas quais, peixes palhaço (amphiprion) se aninhavam sensualmente, eram, na época, um privilégio de poucos. A piton reticulatus, que eu alimentava com pintos vivos, era o horror de muitos e a admiração de uns poucos doentes da mesma maleita. O Gil estava lá sempre presente.
Estas breves notas biográficas são necessárias para se entender melhor o que se segue.
À medida que fui tomando consciência das condições em que esse animais eram capturados nos recifes de coral (peixes e invertebrados marinhos) , de qual era a taxa de mortalidade mercê da captura, transporte e más condições de manutenção, fui abandonando os aquários marinhos. No entanto a tendência do mercado vai no sentido do aumento.
A manutenção de répteis exóticos também se banalizou, dando origem a um lucrativo negócio com impacto nas populações selvagens e seus ecossistemas. O mesmo aconteceu com os papagaios, araras e catatuas, fortemente protegidas por legislação internacional e local.
É difícil de avaliar o impacto das capturas desses animais face ao grande responsável pela sua extinção que é a destruição dos ecossistemas pela desmatação ou pela poluição. Estou em crer que é diminuto, na maior parte dos casos. Mas, cautelosamente, deixei de manter essas práticas e, para além de um cão que me ia levando à ruína, nunca mais quis animais em casa.
Nunca, nesse passado, olhei para os animais como meus amigos. Sempre achei absurda essa atitude. Eram seres que eu me esforçava por manter nas melhores condições, por respeito ao seu eventual sofrimento e à sua condição de dependência. Aprendi, com essa prática, como a vida é sensível e frágil. Como a estabilidade do sistema de suporte da vida é importante. Aprendi eu, os meus amigos e os meus filhos essa  lição.
Nunca confundi a devoção do meu cão com amizade. Os cães evoluíram com o homem, na sua dependência. Tiveram um papel importante na evolução do homem e criaram um conjunto de capacidades adequadas à sua sobrevivência, tendo o homem como parceiro. Amizade é outra coisa. Sempre achei a frase "quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais", uma frase canalha. Animais nossos amigos só mesmo o Pato Donald, o rato Mickey e seus companheiros.
A exibição de animais selvagens em ZOOs, a indústria dos documentários da natureza, a aquariofilia e os aquários públicos decerto que têm impacto nas populações silvestres, mas tem a grande virtude de criar, no público, uma atitude mais consciente e/ou emocional de apoio à conservação dos ecossistemas que suportam essas espécies e da necessidade de preservar a biodiversidade, tão importante para a qualidade da vida na terra e, logo, para a humanidade. Esse balanço, difícil de fazer, é por vezes ignorado por algum fundamentalismo legislativo, apoiado por almas sensíveis, amigos dos animais, que esquecem ou ignoram, as leis da natureza.
A defesa dos animais deve ser encarada como uma defesa da nossa própria existência. As cadeias alimentares são a base do equilíbrio dos ecossistemas. Os animais predadores alimentam-se de outros animais até à base dos herbívoros. Se um elo se quebra, pela extinção de uma espécie, os resultados podem ser desastrosos, principalmente para a humanidade que dificilmente poderá repor aquilo que levou milénios a criar. Temos o direito e o dever, como forma de inteligência, de consagrar o direito dos animais à vida , segundo as regras da natureza, pois essa prática é-nos vital.
O homem ocupa, desde há milhões de anos, o topo da cadeia alimentar, em concorrência com outros predadores, servindo-lhes de refeição, por vezes. Domou várias espécies para lhe servir de alimento, para o ajudarem no trabalho, para se deslocar e para sua segurança e companhia. Fez parte da sua evolução.
Adorou os animais, crendo que eram a encarnação de entes divinos. Ainda hoje sabemos como certas espécies são sagradas em várias civilizações. 
O grau de direitos que lhes concedeu tem variado do zero à idolatria.
A nossa sociedade, com poucas excepções, usa animais na sua alimentação. Cria-os para esse efeito. Caça-os por necessidade ou por desporto.Usa a sua pele no vestuário e mobiliário, apesar de haver materiais sintéticos equivalentes. Em muitos locais menos civilizados (?) o homem usa animais para trabalho e transporte.  Que direitos lhes confere? Que sentido faz, falar em direitos dos animais? Não será mais inteligente falar em deveres do homem para com os animais. Não me parece curial conceder direitos sem definir deveres. Quais serão os deveres dos animais?
Se os animais falassem e pudessem pensar e reivindicar direitos, decerto acolheríamos uma petição das focas para extinguir o urso polar.
Mais uma vez venho expressar que o dever de preservação dos habitats naturais é um dever do homem para o homem. Mesmo considerando quem acredita num criador divino, não faz sentido preservar a obra para o criador, coisa que este fará muito melhor.
Mais uma vez caímos no pecado de projectar a nossa mentalidade nos animais tal como criamos deuses à nossa semelhança, fazendo, assim,  papel de Deus.


Folhas de Outono - Frenéticas

Stanley Jordan não criou muitos discípulos. Percebe-se porquê...



Apesar do lixo no final não quis deixar de partilhar..

Folhas de Outono

Para celebrar um maravilhoso dia de outono. Jazz cool com swing.

Mais papistas que o Papa



Tinha prometido, a Deus, que não me ia envolver na polémica de Caím mas, como o meu amigo Gil deu esse passo, passo a dizer:
Um senhor, único laureado português com o Nobel da literatura, escreveu um livro que ainda ninguém, que eu conheça, leu e, a propósito, disse umas banalidades que, palermas como eu, e intelectuais como ele, vêm dizendo há décadas. Se recuarmos muitas décadas, até encontramos uns que, por tal acto, acabaram em churrasco.
Tal facto desencadeou uma série de declarações de papistas ofendidos, que acorreram em defesa do Velho Testamento, coisa que já nem a hierarquia da ICAR faz.
Como apenas algumas tendências religiosas teimosamente insistem em defender ipsis verbis o Génesis e Dilúvio (criacionistas), o Êxodo (judeus) e outras passagens do Velho Testamento (várias confissões) seria levado a pensar que os protestos viriam daí.
Para surpresa minha, a maioria dos que protestam, dizem-se ateus ou pouco envolvidos em cultos religiosos.
Estou em crer que o barulho pode ter outras origens. Talvez por aqueles esquerdalhos dos nórdicos da  Academia Sueca (Nobel Literatura) e da Academia Norueguesa (Nobel da  Paz) insistirem a atribuir prémios a perigosos agitadores que sistematicamente falam o que não devem, tenha lançado o Saramago numa lista negra. Ou talvez pela inveja de muitos que, como eu, já passaram para além do cabo da Pouca Esperança e o vêem amparado por uma espanhola com umas décadas a menos.
Estou a dizes parvoíces, como de costume. Os bons cristãos conhecem a parábola do bom samaritano e, assim, também reconhecem que há bons comunas.

Saramago, Caím e a Bíblia

A polémica estalou com a apresentação do último livro do escritor português laureado com o Prémio Nobel da Literatura. Não é a primeira vez que tal acontece. José Saramago – ele próprio o confessa – atrai anticorpos com facilidade. Quer pelos seus livros, quer pelas suas ideias, quer pela sua escrita original ou até pelos prémios alcançados. Desta vez, as palavras proferidas pelo autor de “Caím” sobre o verdadeiro significado da Bíblia e sobre a Igreja fizeram desabar sobre Saramago os ataques mais virulentos que ocupam sobretudo a blogosfera. E eu que, tal como Saramago, não tenho qualquer crença religiosa e também sou algo crítico em relação a uma certa Igreja Católica que, como sempre o fez, deseja atrair para si muita gente ansiosa de acreditar mesmo em algo que não compreenda em quê e porquê, tenho lido as opiniões mais injuriosas sobre a personalidade e os méritos do escritor. Apetecia-me perguntar a tais pessoas se leram na totalidade o que está escrito na Bíblia. Saramago resumiu o que lá está literalmente escrito, usando a liberdade de expressão a que tem direito. Na Bíblia estão de facto descritas carnificinas sem fim, actos de puro vandalismo, situações de pecado que aliás a Igreja condena aos crentes. E tudo isso em nome ou a mando de Deus. E por isso ele se interroga: que Deus é este? Como pode ser adorado e respeitado? Claro que se considera que é necessário compreender a época em que foi escrita. Mas a Igreja, quando aconselha a sua leitura aos crentes e que sigam os seus ensinamentos, não sabe, não se preocupa, não pode garantir que cada um deles tenha o conhecimento de um teólogo que lhe explique o que verdadeiramente “os escritos sagrados” significam. Saramago não nega a existência da Bíblia. Foi escrita, baseadas em tradições orais que se processaram ao longo dos tempos. E todos sabemos o que tal pode originar. É nesse contexto que se pode compreender o significado das palavras proferidas por Saramago. A propósito da história por ele contada sobre o que terá acontecido a Caim, ele pronunciou frases que podem ter ferido a sensibilidade dos católicos e sobretudo da Igreja. É possível. Mas em Portugal não existem apenas católicos, existem os adeptos de outras religiões e os que não têm nenhuma. Portanto sugerir, como alguém fez, mesmo na sequência de algo em tempos proferido por Saramago, que ele renunciasse à cidadania portuguesa, é totalmente ridículo. Portugal, que eu saiba, não tem uma ligação “explícita” com a Igreja. Voltando às polémicas, aconselhava a alguns a leitura total da Bíblia verdadeira (acaba de ser lançada um edição com cerca de 2500 páginas) e a melhor compreensão do que lá se diz. E não há também que misturar ideologias políticas com este caso. Isso só mostrará total vontade de fugir à verdadeira questão.
Na apresentação deste espaço está escrito que os autores amam a liberdade. É essa liberdade que nos leva e aos visitantes a expor o que cada um pensa. Mas há expressões que saem do contexto do que está a ser discutido e não merecem, a meu ver, qualquer consideração. Leiam a Bíblia. Leiam Saramago, se entenderem fazê-lo, mas não queiram apenas destruir o homem e a literatura.

What´s in a name?


Azaleias

"What's in a name? That which we call a rose
By any other name would smell as sweet."

Shakespeare, na voz de Julieta


3 clips sobre o conhecimento aqui



Prémios Nobel - Alguém os ouve? - 2

Mais uma proposta para escutarmos um laureado com o Nobel da economia. Americana, mulher, agraciada pelo seu trabalho teórico de gestão de recursos comuns (ing. commons) tais como os oceanos, a atmosfera, as florestas tropicais, as regiões polares, a biodeversidade e os baldios duma forma geral. Sistemas de grande complexidade e que são património da humanidade mas que são usados pelos que chegam primeiro ou pelos que mais poder têm, valendo, por vezes, a força das armas.
Apresento-vos Elinor Ostrom, nobel da economia 2009 com Oliver Williamson.


Prémios Nobel - Alguém os ouve?

Trago hoje aqui, de novo, Joseph Stiglitz, duas vezes laureado com o Nobel de Economia, voz crítica da globalização da economia, das políticas da administração americana face à crise económica, e do comportamento do mundo financeiro.
Quando, por cá, ainda se critica a recente proposta de taxar a 20% as operações de bolsa a curto prazo, ele vem propor que se penalize a especulação dos mercados.
A sua visão sobre o aumento das desigualdades, provocado pela globalização da economia, e a sua crítica aos que vem apregoando uma recuperação económica baseados na recente euforia bolsista, deve ser escutada com muita atenção.
Deixo aqui uma curta entrevista (o estilo do entrevistador é detestável)
e uma conferência proferida na Google Fundation.
Para que os Prémios Nobel da Economia sirvam para alguma coisa devemos começar por ouvir as suas opiniões...





Adenda:
Depois de publicar o post encontrei uma entrevista preciosa sobre Offshores. Veja aqui

Horace Silver

Jazz com múltiplas influências, como sempre aconteceu. Bossa Nova e Música caboverdeana misturadas sobre uma tela bebop-funky.




Aqui deixo um apontamento (não consegui o tema completo, mas mais tarde aqui o trarei)
de um tema assumidamente caboverdeano; uma coladera.

Dawkins by himself

Richard Dawkins é o guru do chamado Novo Ateísmo, corrente de pensamento que nega, usando o método científico, a existência de deus. O seu best seller, O delírio de Deus tornou-se na Bíblia dos Ateus que combatem a influência da religião na sociedade. Luta que também é minha.
Mas, no seu livro (citado) e na entrevista e palestra que aqui publico, ele vai mais longe. Combate também qualquer crença ou fé pela sua natureza ilógica ou sem fundamento científico. Aquilo que é uma posição filosófica acaba por se apresentar como uma posição politica de combate a qualquer conhecimento que não se fundamente na ciência. Em sua opinião todas a crenças que não tenham por base uma comprovação cientifica são de rejeitar e não merecem ser respeitadas.
A minha concordância nestas proposições é completa. Reformulando: todas as correntes de opinião que defendam e partilhem uma crença que não possa ser comprovada, são de rejeitar.
No entanto existe um equívoco que interessa desfazer. Estamos a referir-nos a crenças colectivas, partilhadas por grupos que pretendem disseminá-las na sociedade.
Que exista a crença, na mente de alguns, que co-habitamos com extraterrestres ou fadas, pouco me incomoda. Ainda que esses se organizem num clube, não me importa.
Não respeito as suas ideias mas respeito quem as tem. Não os trato como estúpidos ou ignorantes. Podem até ser pouco dotados intelectualmente, ou não. Acreditam, e acreditar é aquilo que todos nós fazemos em relação à maioria do conhecimento que nos transmitem. Mesmo as nossas convicções sobre ciência vão sofrendo evolução, tornando falso o que acreditávamos ser verdadeiro. é assim que o nosso mecanismo cognitivo funciona e, para um evolucionista como Dawkins, que sabe da materialidade da cognição, suportada pelo complexo dispositivo bioquímico que é o cérebro, sabe que ele resulta de um processo evolutivo inacabado e em curso. Esse dispositivo, com o seu funcionamento específico, evoluiu com sucesso durante milhões de anos, sem existir o método científico. Se a história tivesse seguido outro curso e a civilização chinesa tivesse tomado conta do mundo, o homem continuaria a existir, mas a sua visão do universo seria muito diferente. O método científico não teria sido criado sem a civilização que viu nascer Galileu.
Não podemos esquecer o papel que o mecanismo cognitivo da fé desempenhou e desempenha, na aquisição do conhecimento embora, normalmente, ele seja utilizado para encapsular, colectiva e individualmente, esse acesso. Todos os aspectos do psiquismo humano, como a fé, a emoção ou os sentimentos, podem ser usados para o bem ou para o mal. Mal de uns, bem de outros, claro.
A fé continua a ser a única razão de existir para milhões de seres humanos, quer ela seja no divino ou na ciência.
Negar a fé no divino, usando o método cientifico, é como tentar pregar um prego com uma chave de parafusos.

Palestra:3 clips de vídeo





Veja a 2ª parte aqui

e a treceira parte aqui


Entrevista

Nobel da Paz

Aqui deixo uma receita para engolir o que, para muitos, é um feio e repugnante sapo.
1 - Não ouça quem discorda. Principalmente militares.
2 - Pense nos nomes de outros bichos que já ganharam ou foram nomeados.
3 - Ouça como todos os dirigentes do mumdo civilizado aplaudem.
4 - Tenha à mão um copo do seu mais apreciado vinho.
5 - Acredite nas propriedades profiláticas que tal acto poderá ter.

Imagem do Século XX



Uma imagem vale mais que mil palavras mas, outras há, que transportam mensagens que não caberiam numa enciclopédia.
A imagem do Planeta Terra, como entidade finita e isolada no universo, bela e predominantemente azul, poderá simbolizar toda a perenidade da vida e toda a sabedoria humana e não só.
Considerá-la a imagem mais importante do século XX não me parece pois, exagero.
Apenas possível graças aos extraordinários avanços da ciência e tecnologia mudou, definitivamente, a nossa percepção do mundo e do nosso papel, como espécie inteligente, na sua preservação para as gerações futuras. Criou, no imaginário colectivo, a adequada dimensão da nossa casa global e da sua fragilidade cósmica, principalmente quando comparada com as representações, à escala, do sistema solar e, numa visão mais vasta, da galáxia.
Para a ciência, os conhecimentos adquiridos pela aventura espacial são inumeráveis mas, para a população em geral, que tanto beneficia deles, a mensagem contida nessa imagem e noutras do mesmo género é quase universal. Apenas seres humanos muito afastados da civilização não a conhecerão.
No entanto, se para muitos essa consciência da fragilidade do planeta e do seu carácter finito , veio alterar o seu comportamento quotidiano no que impacta o ambiente, como a utilização dos recursos energéticos e de bens essenciais e no cuidado na produção de resíduos e agentes poluentes, outros há que não incorporaram essa mensagem e continuam a agir como se esta quase esfera azul se pudesse expandir.
Os lugares comuns como "Vamos salvar o Planeta" ou outros estandartes dos militantes e simpatizantes ambientalistas que se suportam neste ícone azul, carecem de lhes acrescentar, por vezes, a dimensão humana. Reformulando diria :Vamos salvar o homem, único habitante do Planeta com capacidade para o entender e preservar ou destruir.
A força dessa imagem parece não ser suficiente para mobilizar toda uma sociedade para os monumentais  desafios que se põem à humanidade aqui.

Inquietação

Aquecimento Global ? - Mitos climáticos

Está a ser publicada em Mitos Climáticos uma entrevista ao Prof. Delgado Domingos, climatologista, que recomendo a todos o que se interessam por este tema.

Para motivar os mais preguiçosos aqui deixo alguns estratos

Atribuir todos estes efeitos aos malefícios do aquecimento global provocado pelas emissões de GEE, poderá ajudar a mobilizar a opinião pública para os desafios do futuro, o que é bom, mas seria muito melhor se assumisse também a sua responsabilidade concreta e demonstrasse sinceridade de propósitos, combatendo-os desde já com todo o empenho e determinação.

Para mim, como já várias vezes afirmei e fundamentei, o cerne da questão encontra-se na utilização desbragada de combustíveis fósseis, cujas reservas se aproximam do esgotamento, para além dos terríveis efeitos na saúde humana e nos ecossistemas, dos poluentes produzidos na sua queima (nesta perspectiva, o CO2 não é um poluente).

Outra questão é a sobreposição de alterações climáticas provocadas pela acção humana que agravam as variabilidades naturais. É aqui que surgem as emissões de CO2 (e GEE) que provocam um aumento de temperatura. O CO2, ele próprio, não é o principal gás que provoca este efeito, mas sim o vapor de água. O CO2 aumenta a temperatura à superfície da Terra e esse é um facto bem conhecido da Física há muitos anos. Este aumento de temperatura provoca o aumento da evaporação, e é esse acréscimo de vapor de água que multiplica o efeito do CO2.


Agradeço o alerta para este post de Range-o-dente

Aquecimento Global ?


Earth Observatory - NASA

The map above shows global temperature anomalies in 2008 compared to the 1950-1980 baseline period. Below-average temperatures are shown in blue, average temperatures are white, and above-average temperatures are red. (Gray indicates no data.) Most of the world was either near normal or warmer than normal. Eastern Europe, Russia, the Arctic, and the Antarctic Peninsula were exceptionally warm (1.5 to 3.5 degrees Celsius above average). The temperature in the United States in 2008 was not much different than the 1951-1980 mean, which makes 2008 cooler than all of the previous years this decade. Large areas of the central and eastern Pacific Ocean were cooler than the long-term average, linked to a La Niña episode that began in 2007. 

Como este tema tem sido incontornável (aqui  e aqui) , venho fazer algumas observações aquela que é a publicação mais difundida, para o público em geral, e usada pelos que argumentam a favor da teoria do aquecimento global.
Sem pôr em causa a validade dos dados que deram origem a esta informação (trata-se da NASA!) nem os processos como foram obtidos quero, apenas, levantar duas dúvidas:


1 - Semântica
Pelo mapa, pelos gráficos e pelo texto produzidos, podemos concluir que se verificou em 2008 um   valor médio das anomalias (desvios em relação ao normal) nas temperaturas de superfície observadas no planeta de +0,44 ºC.
Não podemos concluir que se verificou um aumento global da temperatura dado que, em muitas e vastas regiões, foi verificado o normal ou anomalias negativas.
Podemos observar anomalias de +2,5 ºC em vastas áreas e nalgumas +3,5 ºC.
Houve um aquecimento de vastas regiões mas não foi global.


2 - Impacto do CO2
a - Considerando consensual que é o efeito de estufa que mantem a superficie do planeta a uma temperatura adquada á vida.
b - Mantendo a hipótese, não consensual, de que o CO2 é uma gás importante para o efeito estufa.
c - Pressupondo que a distribuição do CO2, pela atmosfera, é minimamente homogénea.


Porquê o seu efeito não produz um aumento de temperatura generalizado no planeta? Um aumento global.

Seria interessante sobrepor os dados da temperatura, com dados do índice de CO2 presente na atmosfera (não sei se existem) nos mesmos pontos de observação.
Uma relação directa de ambos os factores apontaria para uma relação causa /efeito, embora fosse discutível qual era a causa e qual o efeito pois, sobre o mar, uma maior temperatura faz libertar mais CO2 dissolvido na água.
Admitindo que a distribuição do efeito de estufa obedeça a factores regionais, isto é, que exista maior concentração de CO2 sobre áreas densamente industrializadas ou habitadas, seria de esperar um aumento de temperatura nessas regiões. Pelo mapa exibido isso apenas se verifica na Europa central. As maiores anomalias verificam-se nas regiões polares, principalmente a norte e em regiões desertas no norte da Europa e Ásia.
As circulações das massas de ar e a circulação termoalina, que têm seguido os padrões normais, desempenham um papel fundamental no mecanismo de auto regulação climática mas contribuem, também para uma homogeneidade dos índices de CO2 na atmosfera.

Assumindo a minha quase ignorância em climatologia, não me parecem descabidas estas minhas dúvidas.
Quero salientar que as vozes que, publicamente, vem defender ou contrariar os efeitos do CO2 nas alterações climáticas não partem, na maior parte dos casos, de cientistas do clima, mas sim de pessoas com uma opinião política sobre o assunto. Eu lamento que tal aconteça pois acho que os cientistas se devem, publicamente, manifestar sobre temas controversos que impactam, tão profundamente, a sociedade. O que expus aqui.