Keith Jarrett

Keith é talvez o músico de jazz actual mais do agrado dos fãs da música clássica pelo seu famoso álbum a solo, Köln Concert . Pessoalmente, sou mais apreciador deste músico no seu mais glorioso trio com Gary Peacock e Jack DeJohnett

Ray Charles

Um dos maiores protagonistas da música soul, uma verdadeira fábrica de dólares, aqui num registo mais jazzy que normalmente não nos foi dado observar.




Ray, o filme imperdível.

Canal MEZZO

Medina Carreira - as soluções

Confesso que foi com alguma expectativa que aguardei este número do Plano Inclinado. Havia a promessa de, depois de tanto diagnóstico, se apontar para soluções. Já suspeitava que não iria ser fácil.
Medina Carreira, mais moderado na sua truculência, apontou de novo aos partidos e aos políticos no poder. E,  duvidando que haja algum com estatura de um De Gaulle, lá se saiu com a solução: alterar a constituição para um modelo presidencialista. Só com um De Gaulle à portuguesa isto pode entrar nos eixos.
Como a constituição só pode ser alterada pelo Parlamento, logo com os votos dos partidos PS e PSD e estes acham que está bem como está, devo concluir que a alteração apontada por Medina será levada a cabo com um golpe de estado. Talvez com Cavaco e o apoio das forças armadas. Já ouvi pior!  M. F. Leite já tinha sugerido suspender a democracia por uns tempo. As outra figuras presentes nem se atreveram a comentar, Mário Crespo incluído.
Não é de admirar que quem faz um bom diagnóstico não saiba como curar o doente. Eu também não quereria ser operado pelo radiologista que me descobre um tumor. Obviamente que Medina não faz parte da solução.
Mas faz, acompanhado de muitos outros, parte do problema. Esta gente, como ele diz, que controla os partidos, não nos serve, mas instalou-se com a ausência de pessoas como Medina, que deles desertaram para tratar das suas vidas e carreiras. Apesar de muitos intelectuais, académicos e profissionais de valor , criticarem os arrivistas que inundam a vida política, foi com o seu abandono que as coisas chegaram a este estado.
Quase que só ficou na política quem não sabe fazer mais nada.

Zebra vence leão

Por vezes o caçador é caçado. Basta não desistir...e resistir.

A face oculta - #2



Gostaria de citar o autor desta delícia mas chegou-me por mail sem essa referência. Se alguém poder ajudar...

Kurt Elling

 Os dedos de uma mão bastam para contar os cantores de jazz, machos, actuais, que nos chegam aos ouvidos. O que partilho hoje é o mais conceituado. Com álbuns premiados com Grammy e considerado pela Down Beat Critics Poll como o melhor cantor de jazz em 2000,2001,2002, Elling é um crooner pouco dado a inovações vocais como Bob McFerrin mas com um valor interpretativo e vocal notáveis.
Aqui em  Moonlight Serenade (Glenn Miller) e Golden Lady (Stevie Wonder) no Belgrad Jazz Festival



 Site do artista

Golden Lady

Looking in your eyes
Kind of heaven eyes
Closing both my eyes
Waiting for surprise
To see the heaven in your
eyes is not so far
Cause I'm not afraid to try and go it
To know the love and the
beauty never known before
I'll leave it up to you to show it

And golden lady, golden lady
I'd like to go there
Golden lady, golden lady
I'd like to go there
Take me right away

Looking at your hands
Hands can understand
Waiting for the chance
 Just to hold your hand
A touch of rain and sunshine
made the flower grow
Into a lovely smile that's blooming
And it's so clear to me that
you're a dream come true
There's no way that I'll be losing

And golden lady, golden lady
I'd like to go there
Golden lady, golden lady
I'd like to go there
Take me right away

A touch of rain and sunshine
made the flower grow
Into a lovely smile that's blooming
And it's so clear to me that
you're my dream come true
There is no way that I'll be losing

Golden lady, golden lady
I'd like to go there
Golden lady, golden lady
I'd like to go there

Round Midnight #2

Perto da meia noite, com dois gigantes da música improvisada: Chick Corea e Bobby McFerrin



O disco, na AMAZON

Einstein - Freud : as cartas




É com esta visão trans nacionalista que Einstein sintetiza a sua visão dos caminhos para um Mundo sem guerra.
Numa tentativa de ligar Freud a uma posição de concordância com a inevitabilidade dos processos bélicos, foram feitas citações de duas cartas trocadas entre Einstein e Freud sobre o tema.
Só uma leitura apressada ou uma manifesta desonestidade intelectual pode estar na origem deste equívoco. (ver aqui)

Para que não fiquem dúvidas sobre as posições pacifistas deste dois ícones do pensamento do século XX, resolvi trazer aqui uma   tese de mestrado de um historiador e pensador brasileiro, Luís Henrique  Beust, cuja leitura na íntegra, aconselho aos mais interessados. Esta opção tem a vantagem de, além das referidas cartas, nos mostrar uma análise de um estudioso, sobre elas.
Mostrarei alguns excertos desses documentos para ilustrar como frases extraídas do contexto, podem servir para desvirtuar o sentido global das mesmas e, também, para tornar evidente o sentimento pacifista de ambos os autores.


Nos parágrafos seguintes, Einstein faz uma análise dos factores que para ele são mais determinantes dos processos bélicos. Embora só agora tenha tomado conhecimento destas cartas constato, com algum prazer, que algumas destas considerações vão no mesmo sentido do meu post Jus ad bello #2-





















No paragrafo seguinte Einstein questiona o psicólogo sobres as razões do comportamento bélico do homem:





Destaco, de seguida, alguns dos parágrafos da carta de resposta de Freud, com algumas da frases que, usadas fora do contexto, poderão deixar a ideia que o psicólogo se submetia às condições observadas na humanidade e considerava a guerra como inevitável, num futuro próximo ou longínquo. Deixo de fora a mitologia de Eros e Thanatus  que Freud evocou para expor a sua teoria das pulsões que governam o sexo e a autodestruição porque, embora pressentindo que estavam ligadas, não era conhecido o papel das hormonas no comportamento animal, como hoje se entende a cada passo.


 

....









Não desistam ...

Inspirado por um belo dia de sol e depois de um passeio a pé, junto ao mar, e apesar dos desgostos, sinto-me com disposição para uma mensagem optimista.
Por mais negro que o céu se apresente o sol voltará. Não desistam!





Don't give up

In this proud land we grew up strong
We were wanted all along
I was taught to fight, taught to win
I never thought I could fail

No fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
Ive changed my face, Ive changed my name
But no one wants you when you lose

Dont give up
cos you have friends
Dont give up
Youre not beaten yet
Dont give up
I know you can make it good

Though I saw it all around
Never thought I could be affected
Thought that wed be the last to go
It is so strange the way things turn

Drove the night toward my home
The place that I was born, on the lakeside
As daylight broke, I saw the earth
The trees had burned down to the ground

Dont give up
You still have us
Dont give up
We dont need much of anything
Dont give up
cause somewhere theres a place
Where we belong

Rest your head
You worry too much
Its going to be alright
When times get rough
You can fall back on us
Dont give up
Please dont give up

got to walk out of here
I cant take anymore
Going to stand on that bridge
Keep my eyes down below
Whatever may come
And whatever may go
That rivers flowing
That rivers flowing

Moved on to another town
Tried hard to settle down
For every job, so many men
So many men no-one needs

Dont give up
cause you have friends
Dont give up
Youre not the only one
Dont give up
No reason to be ashamed
Dont give up
You still have us
Dont give up now
Were proud of who you are
Dont give up
You know its never been easy
Dont give up
cause I believe theres the a place
Theres a place where we belong

Guerra aos infieis



 Todas as guerras modernas começam com uma frase do tipo: não temos nada contra o povo de...mas sim contra os governantes opressores, dos quais vos vamos libertar. 
No final, milhares de vítimas inocentes, civis, adultos e crianças, foram libertadas... de viver.

Direitos das Crianças

Na semana em que se comemoram os 20 anos da Convenção dos Direitos da Criança, convém lembrar, apesar de acreditar que todos o sabem, que nem todas as crianças conseguem ter acesso a esses direitos. As numerosas ONG, a ONU e muitas instituições, nomeadamente de carácter religioso, têm acções pontuais para a resolução dos problemas mais evidentes. Mas não conseguem atingir os objectivos que se propõem na totalidade. Há países onde não conseguem evitar que as crianças sejam abusadas, violentadas, usadas com armas na mão como verdadeiros soldados, carne para canhão, vítimas da fome e da doença, sem direito à mais elementar das suas necessidades, sem direito a brincar, a serem crianças, a crescerem em harmonia de modo a fazerem parte de uma sociedade que se quereria mais justa e humana. Que humanos são esses que as maltratam e perseguem. Que as esquecem mesmo quando apressados passam a seu lado. E se isto acontece nos países subdesenvolvidos de África, sucede igualmente em muitas das grandes cidades, de que é exemplo flagrante o que se passa no Rio de Janeiro. Chamam-lhes crianças da rua e vivem nos túneis subterrâneos onde correm os esgotos da cidade. Vivem da esmola e do roubo pois não conhecem outro modo de conter a fome. Mas vamos ainda mais longe. As crianças maltratadas ocorrem mesmo a nosso lado, nas cidades que habitamos. A poucas dezenas de metros da nossa casa pode existir uma criança que está a sofrer as mais variadas injúrias e muitas vezes é capaz de ter gritado sem que os nossos ouvidos a consigam escutar. Todos os dias os nossos jornais relatam episódios hediondos de crianças abusadas e maltratadas pelas mais diversas personagens, inclusive seus familiares. É necessário criar uma verdadeira onda de revolta que acabe com estes crimes. E se falarmos do Processo Casa Pia que se arrasta há anos sem que as vítimas sintam que a Justiça cumprirá a sua missão, vem a propósito recomendar

este livro onde Bernardo Teixeira, agora com 22 anos, nos conta toda a sua história de vítima neste processo. E apesar de ter plena consciência de que não é o único atingido por tanta infâmia e sofrimento nem de certo o último, não deixa de se interrogar: “Porquê a Mim”. Tinha 11 anos quando foi abandonado pela família e entregue aos cuidados daquela instituição. Foi violentamente abusado e usado quando era suposto que o Estado o devia proteger desde que ultrapassou o portão do Colégio Santa Catarina. Quando o processo estalou resolveu prestar declarações como testemunha e vítima mas depois disso ainda voltou a ser sequestrado eventualmente pela sua atitude. Mesmo depois de ter saído da Casa Pia mas certamente influenciado pelas experiências vividas e sofridas, envolve-se numa teia de droga e prostituição para conseguir sobreviver. É uma espécie de continuação da descida ao inferno, iniciada na Instituição que o devia ter protegido e não o fez. A história contada na primeira pessoa dá-nos o retrato cruel de uma vítima que ainda espera que seja feita justiça tal como a maior parte de todos nós. Não deixem de o ler e vejam também este vídeo que vos deixo sobre os Direitos das Crianças expressos na Convenção aprovada pela ONU há precisamente 20 anos. Tanto tempo passado. Quanto mais terá ainda de passar?

Dominique de Villepin - Uma voz a ter em conta





Principal opositor da invasão do Iraque, quando desempenhava o cargo de ministro dos negócios estrangeiros de França, Dominique de Villepin passou por Lisboa e deu uma excelente entrevista a Nuno Rogeiro no programa da SIC, Sociedade das Nações.
O tempo deu-lhe razão.

Adeus, África minha.


  Rights:Copyright © 2009 Yale Center for the Study of Globalization

Jus ad bello - #2




O homem evoluiu com comportamentos agressivos. O seu sistema cerebral, do qual ninguém se liberta, funciona com fenómenos bio-quimicos, que determinam comportamentos de agressão, de busca do prazer, sexuais, de alimentação e outros, que visam a sobrevivência individual, colectiva e da espécie. Tal como todos os outros animais, o homo sapiens, chegou aos nossos dias, numa luta constante contra os elementos, contra os predadores, contra a caça e certamente, contra outros hominídeos, que com ele concorriam pelos territórios de caça, numa primeira fase, como caçador recolector e, mais tarde, pelas terras férteis, pelo acesso à água e, também, pelas fêmeas, que tomavam à força às tribos vizinhas, garantindo assim uma fuga, sem o saberem, aos inconvenientes da consanguinidade. A pré história foi, certamente, um cenário de lutas sangrentas pelos bens escassos, fundamentais à sobrevivência.
Pela observação das sociedades primitivas de hoje, acredita-se que o papel de caçador e de guerreiro pertencesse ao macho. Afinal a testosterona, que comanda a pulsão sexual, é também o combustível da agressividade.
Com a crescente organização social das comunidades humanas caminhou-se para uma maior diferenciação dos papeis sociais. O papel tradicional das fêmeas de cuidar da prole, do cultivo, da confecção das refeições e vestuário, do lar, enfim, manteve-se em muitas sociedades, até aos nossos dias e tem razões biológicas para tal. O mesmo se aplica aos machos. Enquanto jovens, testosterona em alta, eram os actores dos papeis em que a agressividade era fundamental. A caça, como factor de sobrevivência, foi dando lugar à pecuária onde aí também era necessária agressividade para enfrentar a dureza dos animais, que à época não seriam tão dóceis como hoje, e na defesa desse património contra os predadores e contra a cobiça dos inimigos. Aos mais velhos cabia coordenar as acções, treinar os jovens nas mais diversas técnicas de combate e transmitir os conhecimentos indispensáveis à vida.
Este padrão, de duplo papel, que a sociedade industrial dissolveu, quase por completo, tem pois razões históricas e, mais profundamente, biológicas.
Estes factos, conhecidos por todos, são frequentemente ignorados, na tentativa cartesiana de distinguir o homem da sua natureza animal, atribuindo-lhe uma alma livre destes parâmetros.
A história, percurso da humanidade que nos chega ao conhecimento pelos testemunhos escritos ou pictóricos, já nos apresenta sociedades em que a diferenciação social é muito mais ampla. Principalmente nas comunidades urbanas, o número de papeis sociais cresceu muito, para dar resposta às mais variadas necessidades. As profissões são apenas um dos aspectos dessa diferenciação. Os papeis sociais, as hierarquias sociais, os líderes, não ocorrem casualmente. São fruto de diversos factores mas, em sociedades concorrentes pelos bens escassos, o papel da agressividade era determinante.
O padrão de duplo protagonismo, mantém-se. A guerra, forma organizada de agressão e defesa, era reservada aos machos e os mais fortes, agressivos e cruéis tinham mais hipóteses de sobreviver e de alcançar lugares de chefia.
Este aspecto do comportamento humano, quando comparado com o de muitos animais superiores tem, no entanto, uma diferença que etólogos como Lorenz ou Eibesfeldt, descrevem sem no entanto explicarem. Nesses animais, os mecanismos de inibição da agressividade face aos comportamentos de apaziguamento dos agredidos, funciona muito mais eficazmente do que no homem, evitando assim mortes. O homem revela uma atitude mais cruel face aos seus inimigos, mesmo quando eles já estão submetidos. Talvez por isso, a guerra, apesar das suas ritualizações, regras, acordos e normas, tem conduzido a extermínios de guerreiros e inocentes mesmo após rendição ou, em combate, muito para além da vitória. Quando se põem em confronto, machos jovens, sem qualquer carga moral ou ética e com licença para matar, pouca coisa os inibe de o fazer. Mesmo olhando o inimigo nos olhos, confrontado com todos os sinais de sofrimento alheio, com a visão de corpos destroçados e sangue derramado, muitos guerreiros não param, e levam para além dos objectivos de derrota do exército inimigo, a sua acção destrutiva. A história das guerras raramente foge a esta realidade.
Este comportamento, que até ao aparecimento da pólvora e artilharia teria, apesar de tudo, de se confrontar com a presença física de outro ser humano, mudou de cenário a partir da II GM. A introdução dos meios aéreos, dos misseis, da artilharia pesada veio esconder a face do inimigo. Passou a ser um jogo tecnológico em que os alvos são, na maior parte dos casos, cidades, instalações militares, infraestruturas, objectivos militares sem vida visível a não ser para as tropas no terreno, cada vez mais alheadas do sofrimento que produzem. Disparar um míssil, largar bombas sobre uma população, inclusive nuclear, não necessita de mais agressividade que manobrar uma grua. Hoje, é possível realizar raids aéreos com aeronaves tele-comandadas a partir de locais situados nos antípodas, como se de desratizações se tratasse.
A sociedade está, cada vez mais, preparada para a guerra. O cinema, a televisão, os jogos de consola tornam banal a guerra. Os jovens dominam, cada vez mais, as ferramentas que controlam as máquinas de guerra moderna. Quando lhes é dado operar um caça, um tanque, uma peça de artilharia, a curva de aprendizagem está amplamente reduzida. O distanciamento do inimigo não exige qualquer atitude agressiva e o acesso das mulheres às armas, durante quase toda a história e com poucas excepções, impensável, faz parte do quotidiano. Nas modernas forças armadas, à infantaria e tropas de intervenção especiais, vão parar os que a organização militar considera mais aptos para esse fim e não será de estranhar que uma das características seja a agressividade.
A organização militar, como todas as organizações, não foge à tendência para o autismo. Qualquer organização humana, quando atinge uma grande dimensão, tende a esquecer os objectivos para que foi criada, e as comunidades que deve servir. Os tribunais funcionam como se a justiça não fosse o seu objecto, as polícias idem, os hospitais públicos parecem servir mais os seus profissionais que os doentes, as escolas esquecem que a aprendizagem dos alunos é a sua razão de existir e, quando se olha para as organizações privadas, cujo o objectivo primeiro é o lucro, observa-se um alheamento dos interesses dos seus clientes que, não raro, conduz à falência. Grandes organizações podem enfrentar um mercado que não servem, mas acabam por sucumbir.
Obviamente que num mundo de escassos recursos e crescente população as comunidades necessitam de defender os seus e, eventualmente tentar obter os que lhes faltam. Quando todos os meios de negociação falham, o uso da força é inevitável. Acesso a matérias primas, água, terras férteis, ou simplesmente influência política, são as reais razões da guerra. Deveriam ser os objectivos que suportam os exércitos. No entanto dois outros factores, cuja importância varia conforme os estados, revela-se mais importante. Um, é o esforço da comunidade militar em se auto manter ou se ampliar, para além das missões que lhes são atribuídas e das ameaças reais. Outra é a poderosa influência da indústria de armamento sobre os Estados e seus governantes que se movimenta, por vezes, de forma obscura. No seio das forças armadas das democracias, apesar de se declarar que as decisões de aquisição de armamento, cabem ao poder político, certo é que esses profissionais vêem, com bons olhos, um reequipamento. No caso dos regimes com grande participação militar a dependência é directa.
Tantos são os países, por vezes pobres, em que tudo falta à população mas em que o dinheiro para armas, abunda e os soldados vivem com mais regalias que o comum dos seus concidadãos, sendo até um factor de mobilização.
Embora a profissionalização das forças armadas as torne mais eficazes, tem o lado preverso de as tornar mais estanques à sociedade. Se realmente existe a necessidade dos Estados ou alianças de Estados, terem exércitos e, em ultima análise, fazerem a guerra, então a passagem dos jovens pelas fileiras será humanizadora, na razão directa do nível cultural e moral dessas juventudes. Contrariamente ao que defendi quando fui mobilizado ou quando enfrentei a eminência do meu filho o ser, entendo agora que a minha passagem pela vida militar, em tempo de guerra, embora traumática, foi útil ao meu entendimento do fenómeno militar e que sem a  presença dos oficiais milicianos, mesmo que a maioria fosse mal preparada politicamente, foi decisiva no derrube da ditadura pelo MFA e para o fim da guerra colonial. Esta penetração da sociedade na vida castrense justifica-se ainda mais nas democracias, em que é vedada aos militares, a participação política, acentuando as condições para uma visão autista face à realidade social e política.
O desejo que o grau de civilização do homem atinja um estádio em que a guerra seja dispensável, do mesmo modo que nos deu uma sociedade com mais igualdade de direitos e oportunidades, para as mulheres, para a criança e para os mais fracos, ao invés de condicionantes biológicos e comportamentos atávicos que foram úteis à evolução do homem, poderá parecer ingénuo aos mais conservadores que, por conformismo ou porque estão instalados numa situação que os favorece, rejeitam a ideia que o homem pode melhorar.
Não sou optimista, até porque observo uma tendência para o alheamento destes temas, por uma opinião pública acomodada, da qual a tecnocracia se aproveita para instalar mais o desejo de ter em detrimento do ser.
A história se encarregará de nos julgar.

La donna e mobile

 Pavarotti no seu melhor. Dedicado ao Mano.

Jus ad bello





Resposta a O-Lidador - Fiel Inimigo
Em primeiro lugar quero agradecer o texto que me apontou. A argumentação militar nele contida não é nova para mim. Vivi uma guerra por dentro. Servi como capitão, comandando uma companhia em sede de batalhão e como chefe de uma Secção de Informações em Comando Chefe no teatro de guerra.
Embora obrigado, essa experiência, que me levou ao convívio da instituição militar e dos militares, muitos dos quais vieram a ter um papel fundamental no MFA, foi muito útil à minha formação cultural.
Portanto este assunto está longe de ser simples para mim. Nem me dá felicidade nenhuma, falar dele.

Quem parece exibir uma atitude maniqueísta neste espaço não sou eu.
Não divido o mundo em bons e maus, em árabes e judeus, em americanos e os anti, entre este e oeste, entre direita e esquerda.
A minha divisão é mais entre falcões e pombos. Entre exploradores e explorados. Entre bravos e mansos. Mas não a preto e branco. Sei que há muitos tons de cinzento. Não faz sentido falar de bem e mal, nesta divisão.
Se eu exploro, acho que isso é bom. Se sou falcão, tenho por bem comer pombos. Se sou bravo, tenho orgulho na minha força.
Agora, deixe-me dizer-lhe que o que me chateia é ver a hipocrisia de certos falcões que, disfarçados de pombos, com eles se misturam para melhor se alimentarem.
Desgosta-me também que muitos pombos, esquecidos de que, unidos, num bando coeso, podem fazer frente a dois ou três falcões, passem a vida a voar baixinho, ocultos pela própria sombra, entre moitas, murmurando entre eles que já não há falcões a recear.
É a lei da vida, dir-me-a, e eu concordo. Só que a história dá muitas voltas e as pombas de hoje podem virar falcões amanhã.
As primeiras memórias da minha infância sobre a guerra, ligam-se a um grupo de amigos do meu pai a quem eu ouvia falar dos alemães e da II GM com admiração. Gabavam as forças, o equipamento, os aviões, por vezes exibindo postais de propaganda com modelos de tanques, de granadas, etc. Ficava um pouco confuso pois sabia quem tinha perdido a guerra. Nem sequer tinha ouvido falar ainda do holocausto.
Mais confuso fiquei quando mais tarde, os mesmos amigos, teciam rasgados elogios aos israelitas, à sua força, às suas armas, às suas vitórias face aos muitos países árabes que os rodeavam.
Eram tudo boas pessoas, pais de família, pacatos cidadãos, que viviam do trabalho e não se metiam em política, coisa muito conveniente à época.
Fui compreendendo que a força, o poder pelas armas, é uma coisa muito sedutora. Quando seduzidos, tentamos sempre justificar com razões, o que a paixão nos manda fazer.

Não tenha portanto inveja. Quem o inveja sou eu, que não consigo ver a guerra como uma coisa aceitável, necessária e criadora de justiça.
Afinal complico muito. Demais, como sou acusado frequentemente.
Quando me lembro das razões porque me mandaram combater e quem me mandaram combater, revejo a parada do quartel dos adidos, em Bissau, repleta de mais um batalhão, na sua parada de despedida. A juventude do meu país, derrotada pelo paludismo, pelo clima, pela dureza da guerra, pela desnutrição mas, sobretudo, pelo sentimento de inutilidade dos 24 meses de reclusão sem sentido a que foram obrigados.
No meu modesto, e sempre suspeito entendimento, a guerra hoje é um negócio. Como a arte. Como a saúde. Como a religião.
Movimenta uma economia de milhões, não sei se à frente da saúde, mas suspeito que sim. O armamento, as forças armadas profissionais, as milícias, os mercenários enfim, os senhores da guerra, terão que ter uma ameaça, real ou inventada, para continuarem a existir. A ideologia é apenas um adorno.
Certo que fui arranjar mais lenha para me queimar, aqui deixo mais uma sugestão de outro idiota útil.
E mais outra...

Música com os pés

Para quem quer perder uns quilitos, aqui deixo uma sugestão. Resultado garantido.



Winton Marsalis 5teto

CLARO COMO ÁGUA

Também não resisto a deixar aqui mais alguma coisa. Poderia ter comentado mas receio que nem todos os visitantes leiam os comentários. Há quem ache fastidioso(!) Assim aqui vai nesta forma.
É uma pérola que o meu Mano Eurico acaba de colocar aqui. E isto porque as pérolas para além de caras, levam muito tempo a ser produzidas no interior das conchas e curiosamente resultam de uma pequena ferida ou melhor de um insólito corpo amorfo que se introduziu no tecido do pobre molusco. Voltando ao simbolismo que adoptei para classificar a mensagem que deve ser lida na totalidade, também se trata de muitas feridas que existem nas páginas da Bíblia, sendo que por via destas e daqueles que "glorificando" o seu Deus as seguiam à risca em tempos que até, considerando a idade da Terra, não são assim muito recuados, causaram, como é dito no texto da mensagem, muitas e muitas feridas, muitas e muitas mortes, quase comparáveis a pequenos holocaustos, pois tudo isso era pecado e devia ser castigado. Infelizmente ainda subsistem em alguma das culturas actuais. Mas também não podia deixar de juntar o meu aplauso a este ouvinte que escreveu a tal carta com uma série de perguntas, pois a recente polémica levantada em torno do livro de José Saramago que deve ser lido à luz do que está escrito na Bíblia e entendido como um romance que autor assim interpreta, mereceu aqui da minha parte uma anterior mansagem. Felizmente a polémica acabou e o livro é um sucesso no meio editorial como seria de esperar mesmo sem polémica.
O seu a seu dono é uma frase muito antiga mas sempre actual. Um autor de escrita original, reconhecido dentro e fora do país, pode e deve usar da liberdade de expressão e expor o que pensa, apesar de certas expressões que, como reconheceu, poderem ter ferido a sensibilidade dos mais crentes. Mas até já pediu desculpa. Então será que não lhe perdoam? Perdoam-se tantas "pulhisses", "roubos",
"corrupções", "ofensas a menores" (para não referir o verdadeiro nome), enfim tantos e tantos crimes que correm neste país (e não só)e não se podem perdoar algumas expressões utilizadas num ou a propósito de um livro de autor? Dá para pensar.

Manual de maus costumes

 Mão amiga fez-me chegar este texto que não resisto a partilhar...






Como certos puritanos yankees interpretam a Bíblia.
Consta que há alguns anos atrás, não muitos (creio que já neste séc XXI, não
no séc XI), uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a
homossexualidade era uma perversão: «É o que diz a Bíblia no livro do Levítico,
capítulo 18, versículo 22:

"Tu não te deitarás com um homem como te deitarias com uma mulher: seria
uma abominação". A Bíblia refere assim a questão. Ponto final» – afirmou ela,
peremptória, cheia de si.

Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia:
«Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus.
Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha volta
a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a outras
leis bíblicas. Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como serva, tal
como nos é indicado no Livro do Êxodo, capítulo 21, versículo 7.

Na sua opinião, qual seria o melhor preço?
O Levítico, também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir
escravos, homens ou mulheres, na condição que eles sejam comprados em
nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos,
mas não aos canadianos. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto?
Por que é que eu não posso possuir escravos canadianos?

Tenho um vizinho que trabalha ao sábado. O Livro do Êxodo, capítulo 25,
versículo 2, diz claramente que ele deve ser condenado à morte. Sou obrigado
a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora sossegar-me de alguma forma neste
tipo de situação constrangedora?

Um último conselho. O meu tio não respeita o que diz o Levítico, capítulo 19,
versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo campo, da
mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes tecidos: algodão
e polyester. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer e a blasfemar. Será
necessário ir até ao fim do processo embaraçoso que é reunir todos os habitantes
da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia, como prescrito no Levítico,
capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia antes queimá-los vivos após uma
simples reunião familiar privada, como se faz com aqueles que dormem com
parentes próximos, tal como aparece indicado no livro sagrado, capítulo 20,
versículo 14?

Confio plenamente na sua ajuda.»

Joschka Fischer


Vice Chanceler alemão (1998-2005) e ministro dos negócios estrangeiros, dirigente do partido dos verdes durante 20 anos, Joschka Fischer dá-nos a sua visão da nova ordem internacional após 20 anos sobre a queda do muro de Berlim. Ver aqui.

Alfie

 

Alfie (Are we meant to take more than we give?)
Música - Burt Bacharach
Letra - Hal David
 Patricia Barber - Night Club  - Álbum descontinuado mas ainda se encontra nos usados da AMAZON

What's it all about, Alfie?
Is it just for the moment we live?
What's it all about when you sort it out, Alfie?
Are we meant to take more than we give
Or are we meant to be kind?

And if only fools are kind, Alfie,
Then I guess it is wise to be cruel
And if life belongs only to the strong, Alfie,
What will you lend on an old golden rule?

As sure as I believe there's a heaven above, Alfie,
I know there's something much more,
Something even non-believers can believe in

I believe in love, Alfie
Without true love, we just exist, Alfie
Until you find the love you've missed, you're nothing, Alfie
When you walk, let your heart lead the way
And you'll find love any day
Alfie, Alfie



A face oculta


Mais um escândalo de corrupção para animar a pachorrenta cena portuguesa. Ver notícias da SIC aqui.
Nada de novo. Foram apanhados e, isso sim, é indesculpável.
Faz parte dos custo de operação das empresas que fornecem o Estado como já aqui se falou: Eixo do Lucro. As associações de empresários vem, por isso, reclamar. Em tempos de crise a situação é insuportável. O preço da corrupção está pela hora da morte. Por favor façam descontos.
Já ninguém se incomoda com a ética, com a moral, com a ilegalidade. O problema da corrupção é que fica caro ao país. Afinal quem paga tudo é a malta, consumidor final e pagador de impostos.
Os comentadores de serviço dividem-se entre a queixa de que a justiça nunca leva os culpados à cadeia e o nojo da comunicação social que condena, na praça pública, cidadãos acima de qualquer suspeita.
Veja algumas piadas aqui, aqui, aqui, aqui...



 

Petróleo - Combustível fossil?


Pois é. Tenho estado no blog do lado, a bater-me com os Fieis Inimigos e depois não tenho tempo para pregar nesta freguesia.
Vou trazer aqui uma referência do Homem das Cidades sobre o petróleo que por sua vez também a importou dum blog brasileiro. A lógica parece-me com algumas bases. Eu próprio já me tinha interrogado sobre a origem fóssil do crude dado que a sua ocorrência se verifica cada vez a maiores profundidades.
Embora noutro registo, menos conspirativo, outra opinião sobre as reservas do ouro negro.

Dave Holland

A minha preferência pelo jazz já é do conhecimento das almas que por aqui me visitam. Sou muito ecléctico no que ouço mas tenho uma escala. Não clamo que seja uma escala de qualidade. É uma escala de preferência, de zero a vinte. O cilp que partilho hoje é um 20.
Dave Holland é um dos nomes que sempre figurou nas correntes inovadoras do jazz moderno. Mais que um músico, tem sido uma instituição. Congregando um grande número de músicos jovens, tem criado linguagens diferentes com uma herança do bebop e, neste caso, a sua mais recente sonoridade incorpora o entusiasmante contraponto do dixiland entre o sax e o trombone. Para quem gostar, aqui fica uma referência à sua discografia em quinteto com uma composição semelhante à aqui apresentada. Só muda o baterista. Ligação à AMAZON, onde eu compro sempre.
Para os que não chegarem ao fim dos dois temas, Dave Holland toca contrabaixo.

Os animais, nossos amigos #3 - Circo de feras

 Nunca fui grande apreciador de circo, com feras ou não. Não me lembro de lá levar os miúdos.
O que mais me tocava era ver aquelas crianças, cujo trabalho e treino lhes devia ocupar horas, vivendo uma vida nómada sem outro horizonte que não fosse o circo. Também não gostava de ver os animais confinados, como os humanos, a rolotes exíguas.
Mas devo confessar que os levei ao ZOO de Lisboa e ao espectáculo dos golfinhos, focas e leões marinhos.
O mesmo fiz no ZOOMARINE. Há 26 anos vi o primeiro show do género, com orcas, em S. Diego, no SeaWorld.
Fico sempre dividido entre lamentar que animais tão magníficos, cujo habitat é o Oceano, se vejam confinados a um miserável tanque, e o deslumbre de ver, de perto, aquela manifestação de aptidão e beleza própria de tais bichos. O espectáculo, em si, é normalmente ridículo, mas os miúdos adoram. Claro que tento compensar aquela prática com uma palestra sobre a necessidade e de deixar os animais livres e de preservar o seu ecossistema.  
Tudo isto a propósito da tal pérola legislativa (Portaria n.º 1226/2009) , muito restritiva para os particulares e circos mas que, obviamente, deixa uma porta aberta para os espectáculos acima referidos.   Ver artigo 2º alínea b) e artigo 3º:
2.º O disposto no número anterior não se aplica a espécimes
detidos por

b) Parques zoológicos, na acepção do Decreto -Lei
n.º 59/2003, de 1 de Abril, após parecer do ICNB, I. P.


3.º A detenção de espécimes de qualquer espécie da
ordem Cetacea por parte das entidades identificadas na
alínea b) do número anterior apenas é permitida quando
se trate de:
a) Espécimes nascidos e criados em cativeiro, incluindo
a 1.ª geração (espécimes F1);
b) Espécimes apreendidos;
c) Espécimes em recuperação.








      

 A comparação com os circos poderá parecer abusiva, até pelos muitos relatos de más práticas destes, aqui e aqui., mas "ou há moralidade ou comem todos". Os circos são inspeccionados por veterinários e se mantém animais em vias de extinção, devem provar a sua origem.  Como a lista de animais cuja a posse é proibida não deixa de fora grande coisa, acaba-se o circo. Assim é fácil resolver problemas.
Basta ver qual é a posição da ANIMAL. Nem a moscas, que me andam aqui a chatear, posso molestar.

Os 100 dias de Obama, em fotos.




Se é verdade que a fotografia capta a alma, este trabalho consegue exactamente, isso.

Terence Blanchard

 Transmissão em directo no canal MEZZO do Festival de Jazz de Belgrado, que tem uma longa história, interrompida por 15 anos, pelos conflitos conhecidos, mas voltou a realizar-se nos últimos 5 anos.

Terence Blanchard é um trompetista da mainstream, na linha de um Winton Marsalis mas sem o brilho deste.
Tem uma linguagem própria, facilmente reconhecível, e tem uma discografia com a colaboração de músicos de renome. Realço Let's get lost e Wandering Moon,  mais uma vez na AMAZON.

Deixo aqui o tema final onde se pode ver a ficha artística.


Prémios Nobel - Alguém os ouve? - 3

E então Paul Krugman? Perguntam-me, depois de trazer aqui outros prémio Nobel de economia.
Pois... A dificuldade está na escolha de entre o muito que ele diz e escreve.
Decidi-me sobre um pequeno apontamento em que ele critica a administração Bush e por uma entrevista, traduzida para a nossa língua, e publicada aqui, em outroladodanoticia.wordpress.com.




Aqui podemos ouvi-lo falar de desigualdades nos US e do decrescente protagonismo dos sindicatos.

A carta anónima

No Fiel Inimigo foi publicado um post  intitulado Carta a Eurico Moura, assinado por RB. Uma carta anónima pois. Face escondida pela burca do pseudónimo e publicada sem necessidade, pois o meu email é publico, bem como o meu nome. Se de uma carta se tratasse seria fácil enviá-la.
O texto, em si, não me ofende e vem confirmar, como factos, algumas das afirmações que fiz em comentários anteriores a que se lhes atribui um tom de censura, apenas visível aos olhos dos comentadores de serviço. Se censura houvesse, nunca seria ao povo de Israel, muito menos aos judeus espalhados pelo mundo mas, tão só, às políticas praticadas pelos seus dirigentes e pela acção excessiva das forças armadas. Não sou eu que o faço. A ONU tem dezenas de recomendações visando Israel. Claro que já sei o que os sionistas pensam disso.
Como qualquer carta anónima, também esta ficará sem resposta.

No entanto, e para esclarecer os leitores deste blog, aqui deixo o meu ponto de vista e o que afirmei antes:

1 - Lobbie judeu
Todos os comentadores concordaram que existe e que apoia financeira e politicamente o Estado de Israel.
Eu não disse que era mau ou bom. Depende dos interesses do actores envolvidos.

2 - Extremismo judeu
Claro que existe e o facto de existirem centenas não invalida a existência deste.
Sou confrontado, frequentemente,  com o argumento de que existem tantas atrocidades e excessos (Darfur, Coreia do Norte, Iraque, Irão, etc.) e que só me preocupo com este. Não é verdade, e os leitores deste espaço sabem-no.
É um argumento tolo. Seria como dizer: Há crime organizado em Portugal? Pois há! E então!? Não existe crime organizado em todos os países civilizados!? Também temos direito!

3 - Os direitos dos judeus à Terra Santa
Todos concordam que são antigos, de milhares de anos, e que a história está escrita na bíblia.
Recomendo uma consulta a um site que me foi apontado por LGF Lizard a quem agradeço a preciosa colaboração:
A história foi. Passou à história. Seria fastidioso enumerar os povos que viram a sua terra ocupada, que foram vitimas de extermínio, que nunca a abandonaram, que ainda hoje não vêem os seus direitos consagrados: Aborígenes na Austrália, índios americanos, África central e setentrional etc.

4 - Como vivem os palestinianos na Cisjordânia e em Israel
Não sei. Não fui lá ver. Bem gostaria de visitar Israel e fazer uns mergulhos no Mar Vermelho, paraíso subaquático para um apaixonado pelo mar. O orçamento nunca deu.
Mas aqui deixo um testemunho de quem lá foi .

Tenho recebido críticas por usar a Wiki. Sei que não é o melhor, mas muitos dos meus leitores não dominam o inglês e a Wiki tem a colaboração de muitos académicos brasileiros fiáveis. Ou têm dúvidas sobre o  valor das universidades brasileiras?
 Sempre que me são apontadas outras fontes, agradeço. Também recorri a sites judaicos, sempre que possível.
Não vou ler livros sobre o assunto. Não tem assim tanta importância para mim e, citando o mais famoso judeu (embora se tenha afastado da religião), Albert Einstein: Quem muito lê, fica sem tempo para pensar.
O problema é polémico, mesmo entre os judeus como,  aliás, demonstrei.Mais uma vez cada um acredita no que lhe convém.

Como nota de roda pé:
Cara ML, você bem me avisou, mas achei que estava a exagerar. Não sei se aquele pessoal é todo judeu mas sionista é. E cegamente, como convém.
Por mim passo a citá-la: No master, no guru, no god!




Gustavo Dudamel em Portugal


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Esgotaram em dois dias...

Os animais, nossos amigos #2

Animais de companhia, nossos amigos, perigosos. Um pouco contraditório? Depende do ponto de vista.
Saiu mais uma pérola legislativa (Portaria n.º 1226/2009) da Secretaria de Estado do Ambiente sobre a posse de animais exóticos como animais de companhia. Evocando razões de protecção de espécies e de perigosidade dos bichos, vem, praticamente, reduzir os ditos companheiros ao boby e ao tareco.
Concordo com a protecção de espécies ameaçadas de extinção protegendo os ecossistemas, exercendo um apertado controlo alfandegário e do comércio de animais. Mas proibir a sua reprodução em cativeiro vai no sentido oposto.
A portaria inclui na lista dos animais cuja posse tem de ser registada (artigo 5º, anexo II), todos os aracnídeos (aranhas, escorpiões) e as centopeias. Já apanhei aqui em casa umas quantas para levar ao ICNB.
Deixa de fora da classe das aves os psitacídeos (numerosas espécies protegidas) e falconídeos (também protegidos) e toda a fauna do recife de coral que está ameaçada em muitos oceanos.
Quanto à perigosidade, deixo alguns exemplos para reflexão.