CRÓNICAS - 5

ODISSEIA NO ESPAÇO - ODISSEIA DO HOMEM

Acabo de rever na televisão essa maravilha do cinema criada pelo génio de Kubrick chamada “2001-Odisseia no Espaço” que encantou e continua a encantar milhões de espectadores em todo o mundo. Os prodígios alcançados pelo realizador em 1968 deixavam o mundo extasiado perante uma obra de ficção científica que afinal como tantas outras vieram a tornar-se realidade. As viagens espaciais em sofisticadas naves comandadas por computadores tornar-se-iam uma coisa banal nos dias de hoje e se não foi ainda possível alcançar Saturno considera-se que não estará longe a época em que tal proeza acontecerá. Creio ter sido de facto a subtileza e perfeição no modo de contar a evolução do homem, desde os primitivos hominídeos até ao que poderia vir a ser o futuro mais ou menos próximo, numa aventura tecnológica sem precedentes na história do cinema juntamente com uma extraordinária banda sonora e uma interpretação excelente, o prodígio da cor e a excelência dos cenários criados, o que mais terá encantado quem o viu e que o levou a arrebatar os prémios mais ambicionados da sétima arte. Mas regressando aos dias de hoje e ao mundo que estamos a construir no presente dei comigo a pensar, já na parte final do filme em que Dave nos aparece absolutamente só numa sumptuosa divisão de uma casa situada algures num ponto distante do universo, se Kubrik não nos apresentou igualmente a visão do sistema actual em que vivemos onde apesar de rodeados de alguma gente nos encontramos muitas vezes sós perante a necessidade de dialogar com o outro ou de o entender ou de entender o que vai ser o dia de amanhã. Mas há mais: será que aquele monólito negro, o gigantesco paralelepípedo que a nave tinha a missão de investigar, não representa a nossa sede de conhecimento sempre a comandar os mais arrojados? E que isso mesmo nos conduz cada vez mais à solidão? Fica no entanto a imagem final de um feto de criança ainda em formação no seu óvulo viajando em direcção à Terra. É a esperança num novo Homem que acabará felizmente por acontecer. E então fiquei mais satisfeito.

A Economia para TóTós - O dinheiro

Uma história simples, para gente simples, como todos nós.
Mais uma vez recomendo: Um Homem das Cidades

Justiça à portuguesa!


O empresário Domingos Névoa (BragaParques) foi condenado por corrupção, a pagar uma multa de €5000, e Ricardo Sá Fernandes foi condenado a pagar €10000 por lhe ter chamado corruptor e vigarista.Como este último é advogado e o processo não tinha transitado em julgado, até é bem feito! Não acreditam? Leiam no Expresso.

CRÓNICAS - 4

O PORQUÊ DE TANTA VIOLÊNCIA

É natural que muitos de nós nos interroguemos sobre as razões do aumento da violência com que nos deparamos dia a dia. As notícias e os relatos são constantes. O que se passou no recente encontro de duas claques desportivas do Sporting e do Real Madrid, facto que se repete em muitos outros encontros e por todo o mundo é um exemplo dessa nova forma de confronto que tem vindo a aumentar. Mas temos a violência doméstica, a infantil, a política, a cultural e em todas elas nos parece que tendem a aumentar. É certo que hoje em dia a comunicação é tão rápida, relata-nos em muitos casos em directo ou muito ligeiramente em diferido os mais diversos casos de violência que algumas pessoas podem ter a ideia de que aí reside a noção do aumento. Mas penso que não. O ser humano tem dentro de si, desde o seu aparecimento à face da Terra, um determinado grau de agressividade que lhe foi conferido, segundo os investigadores, para sobreviver em meios hostis. E a violência passou a resultar de uma combinação entre factores externos e essa característica inata do Homem. Conhecemos a violência nas antigas civilizações, relatos de grande violência na própria Bíblia, lutas fratricidas entre facções religiosas ou políticas, uma enorme violência pairou sempre onde quer que a rivalidade ou a mais aparente diferença de ideias ou afeições despertasse instintos agressivos. Mas o que parece não termos a menor dúvida é de ela tem aumentado. Mas então porque será que felizmente existem pessoas que conseguem refrear tais instintos e outras não? Porque será que existe quem se sujeite ao sacrifício solidário pelo outro, por vezes mesmo pondo em risco a própria vida e outros não? Nos dias de hoje, infelizmente, são cada vez mais os casos e o número dos transgressores. E vem de novo ao de cima a ideia da culpa do sistema. Creio, ingenuamente creio, que a razão reside nas injustiças sociais por um lado, na desigualdade cada vez maior entre as diferentes classes, mas sobretudo na sociedade que estamos a criar. E a única forma de diminuir a violência é analisando-a nas diversas frentes e tentar pela educação dos mais jovens, que serão ou não os violentos de amanhã, que aprendam a respeitar o seu semelhante. E para isso é necessário dar-lhes exemplos que não podem ser certamente os heróis dos filmes que passam na televisão ou no cinema. Segundo alguns analistas estas duas formas de difundir a violência também têm a sua influência. Mas, excluindo as psicopatias que podem revelar-se violentas mas detectáveis e mesmo algumas corrigidas, talvez que a educação para a cultura, a música, as actividades ao ar livre e o desporto onde a competição não represente nunca a lei do mais forte, numa palavra, a formação de uma mentalidade do amor inter-raças, inter-ímpares (e não só inter-pares como é hábito dizer-se), o acabar com desigualdades e injustiças e compreender as pequenas diferenças com um sentido humanista que as faça terminar num acto festivo, talvez isto e mais alguma coisa que é despertar o lado bom que também é intrínseco ao Homem, possam ajudar a diminuir a violência. Fornecer às crianças e aos jovens o exemplo que tem de partir dos Pais, dos chefes e presidentes disto e daquilo, porque não dos próprios governantes que em nosso nome colocamos mais alto, pode parecer utópico mas não é impossível.

O perigo da história única

 Sempre me insurgi contra afirmações do tipo: os portugueses são... os brasileiros são....
Todos temos na cabeça estereótipos sobre povos, países, culturas, religiões que se propagam como a única visão que conhecemos deles. Histórias únicas que se colam às pessoas e às sociedades.
Pela voz da escritora nigeriana Chimamanda Adichie podemos apreciar um testemunho dos perigos de tais atitudes.



Escolha a legendagem em português, se não domina o inglês. Clic em View subtitles

Faltou o petróleo? Vai a remos!

Um luso-sueco e mais cinco malucos aventureiros, fizeram a travessia do Atlântico, a remar. A proeza não é única na história da navegação. O brasileiro Amyr Klink fez o mesmo, mas solitário. De qualquer modo, é obra. Leia na Visão.

Combustível: água



Um cientista químico do MIT, Dan Nocera, afirma ter desenvolvido um processo de fotossíntese artificial que decompõe a água nos seus elementos; Oxigénio e Hidrogénio. Por acção da luz, a vulgar e abundante água, mesmo a do mar, converte-se num poderoso combustível. Parece bom demais para ser verdade, mas no MIT, não se brinca. Aqui fica o artigo da Scientific American.

CRÓNICAS - 3

VELHOS SÃO OS TRAPOS

Antigamente era hábito ouvir-se esta frase quando alguém interpelava aqueles que hoje em dia, creio que em sinal de respeito se chama idosos. Não sei se é de agradecer, porque afinal não vejo que haja assim tanto respeito pelos idosos. Mas vejamos a essência. Aqui ao lado na vizinha Espanha, chamam-lhes “Mayores” e até foi criada uma Universidad para Mayores onde as pessoas de idade aprendem mais alguma coisa que afinal têm o desejo de juntar ao pouco ou não tão pouco que já sabem. Nós temos a Universidade para séniores. Outra palavra para nos designar a partir de certa idade. E ainda há a Terceira idade. Enfim, pomposas palavras não há dúvida. Mas deixemos por agora as palavras e vamos mais directamente ao assunto. Há muito o hábito de dizer que os velhos (a palavra exacta) são novamente crianças. E isso talvez porque, em sua maioria, são novamente inocentes, gostam de brincar, adoram mesmo brincar e sobretudo com os netos e de um modo geral com todas as crianças. Mas existem as diferenças perfeitamente naturais entre a facilidade de memorização das crianças e a perda de alguma memória nos velhos, a agilidade, a capacidade de equilíbrio, a visão, a audição e muitas outras que são normalmente muito maiores nas crianças. Diz-se que temos mais experiência e conhecimentos. Depende. Mas tanto para as crianças como para os velhos é necessário que exista alguém que os acompanhe e esteja atento às suas necessidades. As crianças têm felizmente os pais para os guiar e suprir as suas dificuldades. Os velhos, infelizmente, não têm em grande parte dos casos (e não estou felizmente entre estes últimos) alguém que lhes preste os cuidados no final das suas vidas. E é vê-los internados e mesmo abandonados em lares ou nas camas dos hospitais sem a presença de qualquer familiar. Não aconteceu isso com os meus avós ou com o meu Pai nem certamente com os Pais ou Avós de quem me ler. Diz-se por aí é o sistema. Sempre o sistema a ser o único culpado. Então acabemos com o sistema desumano. De facto os velhos de hoje são considerados trapos.

Eles vêem aí



Algumas figuras judiciais, acham mais adequado condenar o mensageiro.
Qualquer dia veremos uma estação de TV ser condenada por exibir um vídeo de uma câmara de vigilância dum posto de gasolina, mostrando um assalto.

Google condenada por violação de privacidade

CRÓNICAS - 2

A ORCA VÍTIMA OU ASSASSINA?

O trágico acontecimento ocorrido num parque aquático da Florida em que uma orca agarrou a sua habitual tratadora, quando esta a acariciava durante um espectáculo, puxando-a e levando-a para o fundo do tanque onde acabou por morrer afogada, levou-me mais uma vez a pensar nestes acontecimentos de diversão com animais ditos selvagens. Esta orca já era reincidente, com duas mortes em anos anteriores e portanto considerada perigosa. Argumenta-se que os treinadores conhecem o risco que correm e portanto o fazem de livre vontade. Claro que sim. Mas a questão que se põe é se temos o direito de utilizar animais que devem viver em liberdade, como a orca e muitos dos animais apresentados em circos, sujeitando-os a treinos consecutivos, certamente dolorosos, dando-lhes umas guloseimas para matar a fome quando se portam bem, apenas para o deleite de alguns de nós, infelizmente também habituando as próprias crianças a apreciarem tais brincadeiras dos seres que conhecem como feras. Será isso justo? De certo não o é. E o Homem, considerado o ser mais inteligente, devia saber respeitar, não só a liberdade dos seus iguais como também dos restantes seres que amam a liberdade e que entre eles apenas matam outras espécies por necessidade e muito raramente inter-espécies por razões de disputa ou poderio local. Infelizmente sabemos que o Homem não sabe respeitar os seus iguais e muito menos os que o não são. Mas neste caso, é uma vergonha e também desumanidade que sujeitemos tais animais à perda da liberdade no seu mundo natural, confinados a uns tantos metros quadrados onde passam a viver como escravos. A orca é considerada um dos animais mais inteligentes do mundo. No parque aquático ela utilizou a forma como costuma actuar no vasto oceano onde também, por outro lado, mantém laços parentais muito complexos e perfeitos. O que se terá passado no seu enorme cérebro que se tem provado possuir até capacidades lógicas e de uma grande memória? Será que sentiu desejos de vingança? Ou de raiva? Ou até foi atingida por um ataque de loucura? É difícil sabermos. E de quem será a culpa? Mas outra pergunta que fica perante o que acaba de acontecer, embora nos custe, é a seguinte: Será esta orca uma assassina ou uma vítima?

Todos querem dinheiro!

Num filme, que não recordo o nome, Danny DeVito, no papel de um qualquer mafioso. dizia : Todos querem dinheiro! É por isso que se chama "dinheiro".
Piada à parte, o "dinheiro", o bem mais procurado por todos, é o artigo sobre o qual, o comum dos cidadãos menos sabe.
Como é gerado e gerido? Quem define a quantidade de dinheiro que circula? Que impacto isso tem na economia dos países? Tantas são as perguntas sobre o dinheiro que não encontram resposta clara e em profundidade.
No blog Um homem das Cidades foi publicado um excelente artigo sobre a Reserva Federal Americana. Que não é Reserva, nem Federal, nem Americana

O Sistema de Reserva Federal é um sistema de bancos privados, a criação de uma aristocracia bancária dentro de uma já existente autocracia, através da qual uma grande parte da independência bancária se perdeu, e através da qual foi tornado possível aos especuladores financeiros centralizar grandes somas de dinheiro para os seus próprios fins, benéficos ou não.

(Henry Ford)

CRÓNICAS -1

BULLYING MATA UM JOVEM
O jovem que se atirou ao rio numa acção deliberada como única fuga possível para a constante perseguição e ofensas de que era alvo na sua escola em Mirandela foi mais uma vítima do chamado bullying que há muito tempo impera nos nossos estabelecimentos de ensino. Contrariamente ao que doutas e responsáveis cabeças têm afirmado, o bullying e as praxes cruéis a que os alunos mais fracos são sujeitos constituem prática corrente neste cantinho que alguns julgam ainda ser o local mais pacífico do mundo. Segundo dados divulgados pela UNICEF, as crianças portuguesas são das que mais sofrem acções de violência física ou psicológica, pertencendo Portugal ao grupo de três países onde mais de 40 por cento dos inquiridos afirmam ter sido vítimas de “bullying”. Não se pode fechar os olhos a esta verdade e tem de haver uma modificação rápida e consciente nos critérios de como a Educação está a ser feita nas escolas, na sociedade e dentro das próprias famílias. Que a morte de Leandro sirva ao menos para acordar os espíritos de quem tem tais responsabilidades. Este não é o primeiro caso. Desde há muito que eles existem entre nós e sem que tenham sempre atingido esta forma última de fugir a essa prática estudantil, deixam em muitos jovens marcas para toda a vida e um sofrimento que tem muitas vezes necessitado de ajuda psiquiátrica. Não me venham dizer que o mesmo se passa – e talvez ainda pior - no resto do mundo. É neste país que eu vivo. É neste país que devo lançar a minha revolta. Eu sei que costumo dizer que sou um cidadão do mundo que por acaso nasci em Portugal. Mas é neste que eu desejo lutar e que exijo dos responsáveis que ponham termo a esta vergonha e a estes crimes. Não será difícil. Basta querer. O Jornalista Pedro Foyos no seu livro “Botânica das Lágrimas” faz uma narrativa de ficção, resultante de aturadas investigações no exercício da sua profissão e, no caso desta obra, resultantes de observações recolhidas no ambiente do Jardim Botânico da Lisboa. E ele melhor do que eu sabe explicitar o problema e obrigar-nos a reflectir sobre a sua solução. Por isso aqui deixo o link da mensagem no seu blog onde analisa o caso deste jovem e de outros e o seu significado. A não perder:
O "bullying" segundo Pedro Foyos

O SOL, quando nasce, é para todos...

  

Achamos que o SOL deve ser para todos, por isso basta clicar aqui, para ter o seu.

Medina Carreira na RTP


Finalmente, talvez agora liberta do controle do governo (ou 1º ministro, ou auto-controle), a RTP decide dar voz ao alarmismo, cada vez mais considerado, realismo ( por quantos têm calado a verdade), de Medina Carreira. Mais um problema para Sócrates resolver.
Nada de novo foi dito, que não se tenha ouvido no Plano Inclinado da Sic Notícias mas agora, no canal público  e no prime time, vai ser ouvido por uma audiência menos favorecida pela TV por cabo.
Grande Entrevista de 4-03-2010

PERSPECTIVAS PARA A ECONOMIA PORTUGUESA: 2009-2011 - Banco de Portugal

Endividados? Nós?

Empresas, famílias, estados. Todos perderam para uns quantos, dos quais nem sabemos o nome. Centenas de Madoff's deveriam ir para os calabouços. No entanto parece que pouco se quer mudar no sistema.

Crise mundial já "custou" 46 biliões de euros
Esta Grande Recessão já custou quase 53 triliões de dólares (mais de 37 biliões de euros) e obrigou os estados a desembolsarem 13 triliões de dólares (mais de 9 biliões de euros) no seu combate. O que soma mais de um ano de produto mundial.

Por cá, o clima é de desesperar. As empresas enfrentam problemas que o Estado só tenta resolver quando se trata das grandes, que vivem à sombra do regime. Esta situação, que recorrentemente tem sido debatida no Plano Inclinado em edições anteriores ficou bem clara neste último episódio. Não admira que o Sócrates lhes tenha ódio.

Madeira - Paraíso turistico


A ilha da Madeira é bem o paradigma de uma sociedade que não pára de crescer.
Se 10 hotéis é bom, 200 será melhor. Se uma falésia repleta de apartamentos é lindo, todas as falésias cobertas de betão, será ainda melhor. Claro que a engenharia assegura que tudo vai correr bem.
O rei turismo ocupará o território até pouco restar da paisagem que o criou.
Os habitantes da ilha, que não conseguiram um lugar adequado para viver, aninham-se nas encostas, nos leitos das ribeiras, em qualquer sítio onde os deixem construir, sem olhar às consequências. Aliás, bem ao estilo da nação, argumenta-se que nunca ouve problemas. Que nos últimos 80 anos nunca se verificou desastre de maior. Basta ver os testemunhos da recente tragédia: Tenho 60 anos e nunca vi nada assim!
Passado o susto e o luto, tudo voltará a ser como antes. Reconstrução é a palavra de ordem, que os turistas vem aí e as construtoras estão em dificuldades com esta crise malvada.
O que se passa na Madeira é lamentável, mas é apenas uma pequena mostra do que se verifica por todo o lado em que o crescimento, por todos desejado, da economia, leva a que esta ilha, que é o Planeta, vá ficando pequena para tanta actividade humana. Consomem-se as florestas, os terrenos agrícolas, as reservas de água potável, os locais susceptíveis de serem ocupados em segurança pelas populações, destruindo a vida animal e os sistemas que a suportam, poluindo os oceanos e o ar, na convicção que a ciência e a tecnologia resolverão todos os problemas que daí resultam.
A história da Terra não deixa dúvidas que, a seu tempo,  seremos confrontados com alterações geológicas, climáticas e até cósmicas que se encarregarão de pôr o homem no seu pequeno lugar. Até lá, teremos a economia a crescer, pois o pavor da recessão é maior do que qualquer catástrofe anunciada pelos arautos do catastrofismo.

Madeira. Quem te avisa...