Eólicas - A polémica

Muitas vozes se têm levantado contra a forma como a energia eólica tem sido promovida no nosso país e um pouco por todo o lado.
Suponho que só um tolo não aprova o aproveitamento do vento como forma de energia. Basta ver como a navegação à vela foi crucial para a civilização. Mas não é aí que reside a discórdia. O argumento é de carácter económico e vai no sentido de criticar os benefícios oferecidos a quem produz esse tipo de energia.
Espanta-me que aqueles que advogam um mercado de livre de constrangimentos, como manda a boa economia capitalista, se preocupem com o crescimento desse sector produtivo. Os investidores nada mais fazem do que aproveitar um cluster de negócio em franca expansão.
Critica-se o preço mais elevado que se paga por essa energia, comparado com aquele que se pratica para a energia de produção térmica mas, se se tiver em conta os custos ambientais, essa diferença não é real.
Para que se esclareça, o tema foi abordado numa das últimas edições do programa da SIC, Sinais de Fogo, com a participação do Engº Henrique Neto, um dos subscritores do Manifesto por uma nova política energética, e do Engº Carlos Pimenta, com interesses neste tipo de produção energética.


Optimismo


Gostava de ser optimista!
Ser optimista é bom. Principalmente para os optimistas.
Os optimistas vivem bem, tem mais qualidade de vida, vivem mais.
Para os optimistas há sempre uma solução para os piores problemas. Acreditam que alguém a descobrirá e que enquanto há vida, há esperança.
Os optimistas acreditam que quem não partilha dessa esperança vive num inferno em vida, atormentado pelas dúvidas, ou mesmo pelas certezas, de que os piores problemas da humanidade não tem solução.
Os pessimistas, termo usado pelos optimistas para designar os cépticos, defendem-se clamando que apenas se limitam a olhar a realidade tal como ela é e que as soluções propostas esbarrarão nos muros das próprias insuficiências humanas sendo, portanto, inevitável o caminho que a humanidade percorre.
Ambos os lados tem uma característica comum: não fazem parte da solução. Os optimistas porque não a procuram, certos que alguém a encontrará. Os pessimistas porque não acreditam que ela exista. Assim sendo, fazem parte do problema.

David Attenborough

Uma vida dedicada à divulgação da vida selvagem, da biodiversidade e da conservação. Atingiu, com a sua obra, mais inteligências e sensibilidades que qualquer outro divulgador do género. Muitos, nos quais me incluo, decidiram as suas vidas em função da visão que ele ofereceu deste mundo maravilhoso que, apesar disso, tantos teimam em extinguir. Terá sido em vão a sua obra? Para os mais optimistas decerto que não, para mim, como individuo, também não mas, para o futuro do planeta, a sua mensagem sucumbirá à pressão da economia.
Como uma singela homenagem, aqui reporto, com algum atraso, uma grande homenagem de que foi alvo.

A Pegada Humana

Ontem foi O Dia Mundial da Terra. Parece-me estranho o tema desta efeméride. Todos os dias são da Terra, quer queiramos quer não e, para os que teimam em não querer, trago uma proposta.
São pouco mais de 40 minutos de documentário, produzido pela National Geographic, legendados em português, para apresentação na RTP2. A realidade aí retratada é a dos USA, mas esse modelo de vida e desenvolvimento é o que se vai espalhando por todo o mundo, como sendo o paradigma da vida que vale a pena viver. Parece óptimo e todos nós gostamos mas tem um pequeno inconveniente: não é sustentável. Claro que muitos dos que acham que os recursos são inesgotáveis e que a ciência e a tecnologia vão resolver todos os problemas, podem passar adiante, mas ignorar as luzes vermelhas que se acendem, não evita o desastre. A situação caminha para que, no espaço de tempo de uma geração, seja necessário descobrir mais uma Terra que nos alimente e nos forneça as matérias primas que este modelo de desenvolvimento devora, avidamente.

CRÓNICAS - 6

O DIA MUNDIAL DA TERRA

Mais um dia a que foi decidido chamar o Dia Mundial da Terra. Nada de mais próprio e até em cima dos recentes acontecimentos. Uma erupção de um vulcão num local de certo modo distante da Europa causou neste continente um verdadeiro caos que durou no mínimo 5 dias. Milhões de prejuízo em diversos sectores sobretudo os ligados à navegação aérea mas também em numerosas fábricas de vários países mesmo fora da Europa. Falta de materiais, ausência de pessoal impossibilitado de se deslocar e outras razões poderão ter levado à falência algumas unidades. Parte desta aldeia global ficou parada. A Natureza fez cumprir as suas leis. E o Homem quase nada podia fazer salvo esperar que ela o permitisse. Isto fez-me lembrar um texto que escrevi há cerca de 20 anos e que demonstrava já que havia que cuidar desta Terra. Foi mais ou menos isto:
Desde que há cerca de 3.000 milhões de anos as condições ambientais neste planeta permitiram o aparecimento de seres vivos nos mares e oceanos, e, sobretudo após a sua conquista dos próprios continentes, cada palmo de terra passou a ficar pouco a pouco repleto de organismos vivos, animais ou plantas, povoando, refrescando, arejando e também - será necessário dizê-lo - embelezando-o. Quando o homem apareceu, já a encontrou assim, plena de vida, esta terra viva. Para além do direito que nos assiste de aqui viver, temos também o dever de assim a deixar estar, para os vindouros, para aqueles que possivelmente aqui permanecerão muito depois de o homem provavelmente ter desaparecido daqui a muitos milhões de anos. Sabendo usufruir do direito, parece que não sabemos no entanto cumprir o dever. E não sendo crível que nos preocupemos com outros seres que poderão vir a substituir-nos como homens, espanta-nos a todos que não nos preocupemos com os nossos netos ou mesmo com os nossos filhos. Já não é ficção aquilo que os defensores destas ideias anunciavam há umas dezenas de anos. Se em termos científicos, a ficção se tornou realidade (vejam-se as viagens no espaço, a comunicação a distância, a guerra em directo...) o mesmo aconteceu com as paisagens desoladoras, a falta de espaços verdes, o gigantismo das construções de vidro e de cimento, o asfalto cobrindo o solo ... o asfalto onde as flores não podem nascer.
Terra viva, portanto, é o que menos vamos tendo. Apanhe-se um pouco de terra da margem de um desses rios onde vão desaguar os lixos da nossa indústria e é uma desilusão. Debrucemo-nos sobre um palmo de terra num jardim camarário e observemos os torrões secos sem vida, ali onde foi mais fácil despejar um qualquer pesticida para dar cabo das ervas daninhas e dos insectos hospedeiros das plantas do que cuidar paradisiacamente dos canteiros, por muitos reformados, que assim encontravam ainda alegria de viver. Ah, mas existe muita terra por aí. Vejam-se as ruas e os passeios desta Lisboa onde há terra por todo o lado, revolta e seca ou molhada que nos suja os sapatos ou nos entra pelo nariz, chegando até mesmo a entrar pela janela a quem more num décimo segundo andar se o lisboeta a deixar aberta. Repare passado pouco tempo na terra que lhe cobre as mobílias e os estofos e a alcatifa. Terra seca e voadora. Lisboa está cheia de buracos e de terra. Dizem que quiseram fazer as obras todas ao mesmo tempo por ser mais prático, assim mesmo, sem alternativas que fossem criadas para nos libertarmos da poeira e dos engarrafamentos e do saltitar pelos passeios entre covas e covinhas, pedras e automóveis sobre os ditos. Mas quanto a terra não é só Lisboa. Veja-se por exemplo o turístico Algarve onde a terra cobre o pouco arvoredo das bermas das ruas e estradas, por exemplo, da Praia da Rocha, transformando tudo num cenário desolador, de cor barrenta, acastanhada. Folhas e flores (estas poucas, é claro) vestidas de terra, de castanho ou amarelo sujo. Uma beleza, Assim vamos cuidando desta terra viva, tirando-lhe a vida, retirando-lhe a ajuda das plantas que a fixavam, esboroando-a, desfazendo-a, por entre os nossos dedos descuidados. E a culpa é bem de mim, de si, de todos nós. Eis o espectáculo que estamos construindo. Mas ainda é tempo de voltar atrás e de recriar a terra viva. Festejou-se o Dia Mundial da Terra de modo a saber respeitá-la a partir de agora? Gostaríamos de acreditar que sim.

Efeitos do Dilúvio na Madeira

Antes:


Depois:

From Russia , with love.

O crescimento do neonazismo, que de novo nada tem, tem vindo a revelar que poucos aprendem com a história. Quando a direita, particularmente na Europa, se vem preocupando com o islamismo que acompanha imigrantes e que por vezes, resiste a se integrar na sociedade de acolhimento, deveria dar atenção aos movimentos nazis, que a coberto de uma defesa dos interesses dos trabalhadores locais, vem ressuscitar velhos padrões dos quais todos fomos vítimas. Ou será que vê com bons olhos estes facínoras? Contará com as suas milícias para alcançar o poder?

China - A seca.

Crê-se que os conflitos deste século serão pela demanda dos recursos hídricos. Não sei o que sentem os vizinhos do colosso chinês mas, pelo que sabemos, os chineses não vão querer morrer de sede. O aumento de consumo aliado a uma crescente desertificação vão deixar a China muito necessitada do precioso líquido. Os países vizinhos que se cuidem.
Aqui deixo um extracto de um documentário sobre o assunto, que a SIC exibiu.

Terrorismo ambiental

Petroleiro chinês derrama duas toneladas de crude na Grande Barreira de Coral, na Austrália.

A força da TV



Já sabemos que a frase "Se não dá na TV, não existe" parece exagerada. Sempre achei que a importância desse meio de comunicação cederia lugar à internet e que essa Era já estava a chegar. No entanto um facto recente deixou-me um pouco perplexo.
Um vídeo que realizei, sobre um trabalho de investigação do meu filho André, na área da biologia marinha (Golfinhos em Portugal) e que vem sendo publicado em diversos sites ( Zappiens , Vímeo, Dailymotion ) e também num blog que alimentei sobre o facto (clavadel-golfinhos.blogspot.com) e que teve um número de visionamentos total de pouco mais de 2500, registou, numa só apresentação na RTP2, um número estimado de 94000 espectadores. Tal número não me surpreendeu tanto como o facto de inúmeras pessoas, que já haviam visto esse trabalho, e que se tinham manifestado com uma indulgente apreciação positiva, me terem comunicado, na hora da exibição televisiva, o seu alto apreço pelo meu trabalho e até me terem revelado que esta versão estava muito melhorada em relação à que tinham visto em DVD. Até a mim me pareceu melhor. Abençoada caixa mágica!