O EFEITO TITANIC





Para os visitantes, deixo a promessa de que amanhã estará aqui o texto que se identifica com esta imagem. Acredito que até exista muita gente que entende o que vou aqui dizer e o que isto significa. Se conhecem o efeito borboleta, este não é exactamente a mesma coisa mas o conceito poderão ler aqui mesmo em breve. Este amanhã tem demorado mas está prometido que aqui estarei em breve com o meu texto

UMA MARAVILHA A NÃO PERDER



Tive a felicidade de ver dançar Maya Plisetskaya em Lisboa como primeira bailarina do Ballet Bolshoi de Moscovo, lugar a que ascendera após o afastamento de Galina Ulanova que também tive a oportunidade de ver dançar. Maya Plisetskaya concedeu-nos dois espectáculos no Coliseu dos Recreios. Conservo uma grata recordação da sua interpretação em Spartakus e muito especialmente na Morte do Cisne que aqui se apresenta, no final deste meu pequeno texto.
Eu ficara francamente entusiasmado com a sua performance, estando habituado a ver outras interpretações de várias grandes bailarinas que aqui tinham actuado,no Teatro Nacional de S.Carlos ou no antigo Tivoli. Os aplausos entusiásticos do público português foram a prova de que, apesar dos
seus 58 anos e contrariamente à opinião de muitos especialistas nesta área, ela estaria ainda no auge da sua carreira. Depois do espectáculo tive oportunidade de a entrevistar para a Radiodifusão Portuguesa e ela ofereceu-me uma grande fotografia em Poster autografado que existe agora em minha casa em local bem visível. Durante a nossa conversa, recordo a sua afirmação “dançarei enquanto sentir a atenção das salas. Dou às pessoas tudo o que posso dar-lhes, mas se esse interesse desaparecer, deixarei os palcos sem hesitar”. Mas ficou ainda durante muitos anos. Ela confessava-nos que desde muito nova não gostava de submeter-se à disciplina e que talvez por isso ainda improvisasse tantas vezes. “Amei sempre a improvisação mas nunca tentei memorizar o que fazia”. No entanto, a grande bailarina, que é, dir-nos-ia também que para ela “a música é tudo. E embora haja dança sem música e nesse caso sejam o corpo e a alma que devem cantar, quando a música canta é preciso dançá-la, não dançar sobre a música mas a música propriamente dita e tentar que o público a sinta”. Ao rever agora esta sua “Morte do Cisne”, bailado criado pela célebre Anna Pavlova e gravado por Plisetskaya com 61 anos de idade, humildemente confesso que fiquei ainda mais maravilhado e o achei mais extraordinário do que quando a vi em Lisboa três anos antes. Foi com este bailado que iniciou a sua carreira aos 18 anos no Bolshoi. Os movimentos dos seus braços e mãos (reparem bem) parecem que se deslocam voando ao sabor do vento, em pleno espaço, como se fossem penas de um cisne. A visão é ao mesmo tempo impressionante e comovedora. Inesquecível Morte do Cisne! Vejam e revejam quantas vezes quiserem. Foi um prazer para todos os que a viram dançar. Para esses e para os outros, aqui está o quanto tem de maravilhoso para não se perder.




Paz