PARABÉNS A GALOPIM DE CARVALHO


Numa cerimónia realizada esta tarde no Pavilhão do Conhecimento foi entregue o Grande Prémio Ciência Viva Montepio ao Professor Galopim de Carvalho. Trata-se naturalmente de uma merecida distinção a quem tem pugnado pela divulgação do conhecimento científico, nomeadamente na área da Geologia em que é doutorado e sempre na defesa dos valores culturais e do nosso património. Professor, investigador, divulgador infatigável, a ele se deve o grande entusiasmo que entre nós se tornou tudo o que dissesse respeito aos dinossauros. Se hoje as crianças brincam com pequenos modelos de dinossauros - e disso tenho a experiência do meu neto que ainda muito pequeno era o melhor que lhe podíamos dar – tal facto é devido à sua luta pela preservação de pegadas desses gigantes do passado em Carenque e nas falésias do Cabo Espichel. Recordemos também que já como Director do nosso Museu de História Natural conseguiu que ali tivesse lugar a famosa exposição "Dinossáurios regressam a Lisboa", que contou com várias centenas de milhares de visitantes em menos de 3 meses.
Mas o meu grande amigo Galopim de Carvalho publicou inúmeros trabalhos e artigos científicos em prestigiadas revistas nacionais e internacionais e é autor de vários livros de divulgação científica, incluindo o primeiro e único Dicionário de Geologia, mas igualmente na área da literatura de ficção, demonstrando um carinho especial pelos valores da cultura popular. Não é por acaso que se trata de um alentejano que muitas vezes recorda a sua infância na grande planície, entre as gentes e os costumes tão particulares daquelas paragens. Diríamos que se trata com efeito de uma figura muito especial na cultura e na ciência portuguesas, a quem muito devemos pela sua intervenção corajosa e patriótica. Recordo importantes conferências no Museu de História Natural e noutros auditorios onde foi convidado para nos transmitir conhecimento, sabendo criar em todo o público uma empatia muito especial quer pelo tema dos Dinossauros, quer pelos fenómenos geológicos ou pela beleza dos minerais e cristais. Ficávamos todos com um desejo enorme de saber mais e mais e de aprender. E esse é o seu grande segredo: fazer despertar em nós o interesse pelas maravilhas que se podem encontrar naquilo a que vulgarmente chamamos apenas "pedras". São muito mais do que isso. Debaixo dos nossos pés algumas delas são verdadeiras pérolas. E isso aprendemos com ele. Adorado pela pequenada quando visita as escolas, admirado pelos colegas universitários, reconhecido o seu valor pelos muitos amigos com os quais partilha tudo o que sabe, bem merecia este prémio com que acaba de ser distinguido. E daí os nossos Parabéns.

O NOSSO JARDIM RENOVADO


Exactamente. O nosso Jardim. O Jardim Botânico de Lisboa. O projecto de renovação do Jardim Botânico, orçado em 500 mil euros, foi o grande vencedor do Orçamento Participativo de Lisboa, com 7553 votos. Dizemos nosso porque é de todos, sobretudo dos lisboetas. Mas nosso também, para todos aqueles que, como eu, frequentaram a antiga Faculdade de Ciências na Rua da Escola Politécnica, porque o Jardim Botânico onde se situava esse estabelecimento de ensino universitário, o edifício que agora é o Museu Nacional de História Natural e da Ciência era o nosso jardim. O jardim onde estudávamos, onde nos reuníamos em grupos para deliberar assuntos relativos à Associação dos Estudantes, também ela integrada naquele espaço arborizado e onde também se namoriscava,
eventualmente onde principiaram futuros casamentos (pelo menos um deles que conheço bem). Esta curiosa particularidade foi bem frisada nas palavras que o Professor Fernando Catarino proferiu (oiçam o que diz no video em baixo) no passado dia 19 de Outubro quando ali se realizou um evento chamado A Corda pelo Botânico que haveria de reunir centenas de pessoas que deram o laço a duas cordas que então se estendiam, uma desde a Praça da Alegria e outra partindo do Jardim do Príncipe Real. Significava esse laço um “nó simbólico”para completar um longo cordão que ligava os três espaços verdes da nossa cidade, desde o velho portão de entrada do Jardim na parte baixa da cidade até à entrada pela alameda das palmeiras na Politécnica, para que fosse aprovado pela Câmara Municipal, através do seu Orçamento Participativo para 2013, o projecto para a renovação do Jardim Botânico. O Professor Fernando Catarino, professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, foi sempre um dos grandes lutadores por essa causa e ali esteve presente juntamente com muitas figuras públicas. Como antigo director do Jardim Botânico, a ele se devem as ligações nacionais e internacionais que o Jardim como espaço de investigação possui, o aumento das colecções de herbário e a constituição de um banco de sementes, moderno e actual como está hoje. Mas nos ultimos anos e apesar da sua luta e de muitos dos seus companheiros, actuais responsáveis do Museu Nacional de História Natural e Ciência, o nosso Jardim viveu momentos difíceis com dificuldades enormes para a preservação do seu património natural conseguido ao longo da sua vasta história. Esta recente vitória alcançada por uma intervenção corajosa que reuniu a vontade de muitos dos amantes da natureza e do ambiente citadino vai marcar certamente uma nova etapa na vida do nosso jardim. A todos os que por ele lutaram e ao Professor Catarino, neste dia particular para ele, aqui deixamos os nossos parabéns pelo duplo acontecimento. Oiçamos as suas palavras no decorrer do pequeno vídeo da reportagem da SIC no evento que marcou a esperança na vitória agora alcançada.

*** RECORDAR HOJE HIROSHIMA ***** ** 6 de AGOSTO *******


Recordar Hiroxima, hoje 6 de Agosto, não é só recordar o maior massacre da história do homem provocado pelo próprio homem. Nessa manhã de 1945, 140.000 mortos e uma cidade totalmente destruída, milhares de estropiados, crianças que não chegaram a nascer e outras que muitos anos depois ainda continuavam a nascer com deformidades provocadas por alterações genéticas, Hiroxima terá sido – foi certamente – a vergonha de muitos homens, pelo menos de alguns. O piloto do avião que transportou e lançou sobre a cidade japonesa o terrível engenho nuclear foi internado num hospital psiquiátrico. Alguns cientistas ter-se-ão interrogado sobre a possível culpabilidade em milhares de mortos. Mas o que é incrível é que essa decisão tenha sido possível à mesa de uma qualquer reunião de militares – e não só – quando e nunca foi desmentido já se sabia de antemão que a guerra estaria perdida pelo inimigo, nesse caso o Japão e as suas duas cidades mártires. Apesar da cerimónia que hoje, como todos os anos desde a reconstrução da cidade, decorre na grande praça principal de Hiroxima para homenagear os seus mortos e recordar o terrível holocausto, a geração actual não terá sempre presente o que de facto aconteceu. Recordar hoje Hiroxima é portanto uma forma de manter bem vivo o clamor que não deixará de existir sempre que o homem se esquecer de respeitar os seus iguais, destruindo as suas perspectivas de um futuro. Não se trata apenas de lutar para que não aconteçam mais Hiroshimas. Nunca mais. O perigo nuclear, apesar do desanuviamento entre as grandes potências, pode espreitar quando menos se espera, vindo de um qualquer país, desejoso de se impor perante a restante humanidade. E sabemos bem quais são os países que se recusam a ser inspeccionados pelos organismos internacionais de prevenção nessa área. Mas recordar Hiroshima é também uma forma de rejeitar os actuais genocídios de muitos milhares de vidas inocentes pois a guerra continua a existir em vários pontos nevrálgicos e a subsistir numa destruição permanente, como é o caso dos conflitos como o israelo-árabe e outros países do oriente de que são exemplo a Síria, o Egipto ou o Iraque. Tais genocídios poderão parecer menos brutais pelo menor número de vítimas mas são sempre genocídios. A morte de pessoas inocentes é sempre inqualificável, qualquer que seja o seu número. Nada a justifica. O homem é o único animal que mata os da sua própria espécie, apenas para os eliminar. O genocídio é um fenómeno contra-natura. Termino com uma frase que não sei bem se é minha mas que sempre tenho repetido com intensidade, sobretudo – mas não só – no decorrer desta data. “Recordar hoje Hiroshima é lutar por uma existência digna e feliz para todos os homens que um dia – se todos quisermos – viverão em paz e harmonia.”