*** RECORDAR HOJE HIROSHIMA ***** ** 6 de AGOSTO *******


Recordar Hiroxima, hoje 6 de Agosto, não é só recordar o maior massacre da história do homem provocado pelo próprio homem. Nessa manhã de 1945, 140.000 mortos e uma cidade totalmente destruída, milhares de estropiados, crianças que não chegaram a nascer e outras que muitos anos depois ainda continuavam a nascer com deformidades provocadas por alterações genéticas, Hiroxima terá sido – foi certamente – a vergonha de muitos homens, pelo menos de alguns. O piloto do avião que transportou e lançou sobre a cidade japonesa o terrível engenho nuclear foi internado num hospital psiquiátrico. Alguns cientistas ter-se-ão interrogado sobre a possível culpabilidade em milhares de mortos. Mas o que é incrível é que essa decisão tenha sido possível à mesa de uma qualquer reunião de militares – e não só – quando e nunca foi desmentido já se sabia de antemão que a guerra estaria perdida pelo inimigo, nesse caso o Japão e as suas duas cidades mártires. Apesar da cerimónia que hoje, como todos os anos desde a reconstrução da cidade, decorre na grande praça principal de Hiroxima para homenagear os seus mortos e recordar o terrível holocausto, a geração actual não terá sempre presente o que de facto aconteceu. Recordar hoje Hiroxima é portanto uma forma de manter bem vivo o clamor que não deixará de existir sempre que o homem se esquecer de respeitar os seus iguais, destruindo as suas perspectivas de um futuro. Não se trata apenas de lutar para que não aconteçam mais Hiroshimas. Nunca mais. O perigo nuclear, apesar do desanuviamento entre as grandes potências, pode espreitar quando menos se espera, vindo de um qualquer país, desejoso de se impor perante a restante humanidade. E sabemos bem quais são os países que se recusam a ser inspeccionados pelos organismos internacionais de prevenção nessa área. Mas recordar Hiroshima é também uma forma de rejeitar os actuais genocídios de muitos milhares de vidas inocentes pois a guerra continua a existir em vários pontos nevrálgicos e a subsistir numa destruição permanente, como é o caso dos conflitos como o israelo-árabe e outros países do oriente de que são exemplo a Síria, o Egipto ou o Iraque. Tais genocídios poderão parecer menos brutais pelo menor número de vítimas mas são sempre genocídios. A morte de pessoas inocentes é sempre inqualificável, qualquer que seja o seu número. Nada a justifica. O homem é o único animal que mata os da sua própria espécie, apenas para os eliminar. O genocídio é um fenómeno contra-natura. Termino com uma frase que não sei bem se é minha mas que sempre tenho repetido com intensidade, sobretudo – mas não só – no decorrer desta data. “Recordar hoje Hiroshima é lutar por uma existência digna e feliz para todos os homens que um dia – se todos quisermos – viverão em paz e harmonia.”

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