Poemas (Anatomia de uma paixão)




Hoje perdi-te

Hoje perdi-te, outra vez. 
Perdi-te como sempre te perco, 
de vez... 
perco-te cada vez que não me chamas, 
cada vez que não me dizes que me amas. 
Perco-te e fico a olhar para um deserto 
que é a minha vida sem ti, quando te perco.



Morro


Queria ter morrido ontem

Quando não sentia dor

Quero morrer desejado

Antes que morra o amor






  Alvorada

Porque todos os amores parecem pobres,
porque vejo o teu rosto em cada quadro,
em cada anúncio, em cada estrela.
 

Porque em cada manhã ouço o teu nome,
  a tua voz é como o cântico das aves
que me desperta e embala.
 

Porque o desejo me assalta ao toque suave,
e a vertigem em que mergulho a cada beijo
me leva aos limites da loucura.
 

Porque em teus olhos vejo a alegria renascer
e no teu sorriso uma promessa de ternura
que me torna melhor e mais desperto.
 

Porque nunca o amor me fez tão sábio,
tão fluente, com a esperança como guia
e a vida com sabor para ser vivida.
 

Por toda a luz que irradias, p'lo amor iluminada,
  na neblina acendes um sol em cada dia,
te digo, meu amor, que és na minha vida,
uma fresca e deslumbrante alvorada.






Vertigem


Que vertigem esta, em que me perco

Que te vens perder em mim, no meu desejo

Que desejo é teu igual, como num espelho

Que reflecte dois corpos fundidos numa peça